A SABEDORIA DA CABALÁ
Ministrador: Rabino
Yossef Salton
Este curso está
destinado a dar os conceitos básicos da Cabalá, com um método simples e claro,
desenvolvido e organizado pelo Rabino Phillip S. Berg e baseado no Zohar e
outros livros sobre Cabalá.
1º aula: O que é Cabalá? Como a Cabalá nos ajuda nos
dias de Hoje? A Psicologia e a parapsicologia;
a mente consciente e o subconsciente; o ritual e o espiritual, o físico e o
metafísico; ilusão e realidade. A limitação dos nossos cinco sentidos.
Iremos, nesta
primeira aula, falar genericamente sobre Cabalá, para fazer relação com outros assuntos
que conhecemos, tais como Ciência, Psicologia, Parapsicologia, e com a nossa
vida, porque realmente queremos utilizá-la para melhoria de nosso dia a dia.
O que é Cabalá?
É a mais antiga
sabedoria espiritual que existe sobre a Terra. Como começou? como se relaciona com a religião?
O primeiro cabalista
de que se ouviu falar foi o Patriarca Abrahão. Todos sabemos que ele foi um
judeu, mas além de judeu também foi fundador de todas as religiões que
acreditam em um único Deus, e é evidente que este é um título muito importante!
Podemos dizer a respeito da Abrahão que ele era um homem muito simples, e fazia
perguntas muito simples, mas muito profundas. Todos temos perguntas sobre nós
mesmos, sobre nossos problemas, sobre a nossa vida, e também sobre Deus. Assim,
Abrahão tinha o mesmo tipo de pergunta que todo ser humano tem.
Quem é Deus? Onde Ele
está?...
Abrahão tinha essas
perguntas. A diferença é que ele não desistiu até que recebeu a resposta
correta. Ele sabia que as respostas verdadeiras não estavam no mundo físico,
mas também na sua mente, sabia que tinha que transcender sua forma física,
deste mundo físico, para receber as respostas às suas perguntas.
Quando obteve
sucesso, ele passou a contatar o nível que podemos chamar agora de consciência cósmica. É bonita essa palavra. Usar a palavra Deus é
problemático, porque fomos educados a temer a Deus, obedecer suas leis, que Ele
estava muito longe daqui, e a não fazer muitas perguntas a seu respeito.
Normalmente ocorre
que alguns acreditam que Ele exista, outros que não exista. Mas os que
acreditam, será que O viram? E os que dizem que não existe Deus, será que O
mataram, para agora dizer que Ele não existe? A Cabalá não trata disto.
Consciência Cósmica é
um termo útil; mas na verdade ele apenas descreve Deus de outra forma, com
outras palavras. O que Abrahão viu, ou se conectou em nível espiritual, foi com
essa consciência cósmica; é um conhecimento universal
que conecta todos os seres humanos num mesmo ser
essencial. Porque neste mundo
físico somos todos diferentes e separados uns dos outros, e podemos até roubar,
lutar e matar-nos. Porque? Porque nos sentimos diferentes uns dos outros. Mas
se avançarmos numa certa sabedoria cósmica e compreendermos que somos um ser
universal, isso logicamente não acontecerá mais.
Essa é a unidade que
Abrahão sentiu e revelou durante sua vida. Obviamente que essa unidade não
existe na nossa forma física; somente numa dimensão espiritual.
A Cabalá fala de uma
dimensão espiritual onde todos os seres são um: isso é chamado Consciência
Cósmica. Segundo a Cabalá, esse é o Deus invisível, que viemos buscando há
eras. Quando Abrahão tentou explicar esse conceito a seu pai, foi difícil
aceitar: seu pai era idólatra: pessoa que se curva diante de figuras de ídolos
de madeira, metal ou outro material. O que ele lhe disse? ‘Você espera que eu
acredite num Deus que não posso ver? que não posso sentir? que não posso
vender?’ (porque a casa de Abrahão era repleta de ídolos, pois seu pai era
mercador de ídolos, sendo assim, muito lucrativo ser idólatra!) Hoje mesmo
acontece algo assim quando nos aproximamos das pessoas e começamos a falar
sobre espiritualidade e ouvimos ‘por favor não fale de espiritualidade para mim
pois sou uma pessoa racional e só acredito nas coisas que eu posso ver, sentir
ou que posso vender’. Da mesma maneira, pode-se encontrar que a idolatria seria
o que hoje chamamos materialismo. Há muita gente que diz: ‘eu acredito no poder
do dinheiro’, sim, ele tem um grande poder!
Porém a Cabalá vem e
fala de algo que existe além do
mundo material. Após 4 mil anos depois de Abrahão chegou um tempo que nós seres
humanos precisamos libertar-nos do mundo material, desse materialismo e
aceitarmos a espiritualidade. A consciência humana mudou pouco nesse tempo. Há
progresso na ciência e tecnologia, mas será que nos desenvolvemos sob o ponto
de vista espiritual? Será que somos seres humanos melhores do que as gerações
anteriores? Não, não somos nem melhores nem piores que outras gerações.
Mas, será que a Cabalá contradiz a ciência e a tecnologia?
Não, logicamente a
Cabalá não é contra a tecnologia e nem contradiz a ciência.
A ciência agora fala
de metafísica, que significa “além da física”. Agora a ciência está chegando ao
ponto, ao nível, do qual Abrahão já falava há 4 mil anos. A ciência fala a
respeito de um mundo de energias; estamos começando a conhecer através da
ciência esse novo mundo. No entanto pode-se chamar na maneira física de energia
ou espiritualidade, que se trata da mesma coisa. O mundo da metafísica é
semelhante à espiritualidade. Então podemos nos dar conta que o ciclo entre
Cabalá e ciência está finalmente se fechando!
E a religião? A Cabalá é baseada na religião?
Esta é uma questão
delicada. Definitivamente a Cabalá se relaciona com a Bíblia, com o Velho, com
o Novo Testamento, e com textos sagrados de todas religiões: é uma sabedoria
cósmica e pertence a todas as nações, sem diferença de religião, raça,
nacionalidade ou qualquer outra separação.
A pura Cabalá é
universal e pertence a todos os seres humanos. O problema com a religião não é
a religião... mas sim com as pessoas que a usam erradamente, que a explicam
baseados na fé cega, no medo, usam o nome de Deus, Alá ou Jesus para se
matarem, utilizam-na para justificar atos de fanatismo, atentados ou suicídio
coletivo em nome de Jesus ou Alá.
O que se vê através
da história é que os cabalistas eram pessoas diferenciadas. Eram ligadas com o
espiritual, com a mensagem Bíblica; transcenderam sua forma física e
conectaram-se com a sabedoria cósmica universal. Mas para alcançar essa
consciência cósmica tiveram que se purificar de todas as doenças dos seres
humanos, não das doenças físicas, mas das “mentais”: ódio, inveja,
autodestruição e a destruição dos outros. Avançaram no preceito que todos nós
aceitamos e respeitamos que é “amarás ao teu próximo como a ti mesmo”. Todos
nós aceitamos essa frase como um título. Mas pôr em prática no dia a dia não é
fácil.
Esta é a principal e
a única condição que toda pessoa deve passar para poder aprender Cabalá. Isto
não se alcança de repente; mas, no momento que se aceita esse preceito e se
passa a usar diariamente, os portões da Cabalá se abrirão.
Pode-se ler livros e
livros sobre Cabalá e ser uma pessoa culta, até um professor no assunto, mas
sem a prática diária não se alcança a sabedoria. Nosso propósito no Centro de
Cabalá é aprender a teoria da Cabalá e também a cada pessoa se estimula
praticar esse preceito.
Ser espiritualizado
não significa ser pobre e sem dinheiro; não significa que não se trabalhe, que
não tenha família e não possa ter uma vida boa. Ser uma pessoa espiritualizada
significa ser capaz de transformar a grande sabedoria, de trazer a grande
sabedoria para o nosso dia a dia e, às vezes até, atravessar uma mudança
espiritual.
Retornando ao patriarca Abrahão. Depois de revelar a
Cabalá, escreveu um livro, chamado o Livro
da Formação, que contém todos os segredos do universo em apenas três
páginas. Foi escrito em hebraico. todos
os segredos do universo em apenas três páginas, como isso é possível? Todas
demais páginas do livro são explicações e explicações sobre estas três páginas.
O exemplo é muito simples: é o exemplo, a explicação da semente.
A Cabalá é a semente
de toda sabedoria do universo. Dentro da Cabalá está tudo aquilo que queremos
saber: contém a ciência, a medicina, a Psicologia, a
Parapsicologia, metafísica, astrofísica e, existe uma outra
dimensão, que trata de reencarnação,
meditação e astrologia. Portanto você tem tudo
sobre a vida de uma só vez.
Dessa
semente : surgiram árvore e galhos,
que são:
história
ciência
psicologia
geografia
etc.
Existem pessoas que
se conectam com os galhos e têm uma visão de mundo de um modo separado. A
Cabalá dá uma visão holística da vida. Ensina algo importante: que em vez de
resolver o problema pelo galho, vamos à semente, que inclui tudo.
O Livro da Formação é
a semente; todo o conhecimento em 3
páginas. Demorou para que fosse compreendido, porque seu conhecimento está em
código, tal como na semente há o DNA. Até que há 2.000 anos o rabino Shimon Bar Yochai, sábio
talmúdico, além de escrever comentários sobre o Talmude, também recebeu o Zohar, o Livro do esplendor. O Zohar é a chave para compreender a semente:
o Livro da Formação. O Zohar está contido em 24 volumes, escritos em aramaico.
A tradução em hebraico foi feita pelo fundador do Centro de Cabalá, há 80 anos.
Seguiu a profecia do próprio rabino
que escreveu o Zohar, que previa que viria uma era, numa nova geração, em que
todos iriam procurar por esta sabedoria.
A quem é permitido estudar Cabalá?
Muito já se ouviu a
respeito: às mulheres seria vedado o conhecimento, este deveria ser restrito a
uns poucos etc.
Existem dois níveis
de Cabalá: em caracteres latinos temos:
1º nível: TÁ AMEI TORAH
TÁ significa sabor -
gosto, e o gosto explica o porque
que está por trás das coisas. Porque Deus trabalha 6 dias e descansa no 7º? Se
Ele tudo pode, porque não fez em alguns segundos apenas; e ainda, porque se
‘cansou’? Porque criou um mundo com tanta maldade? Se nós fôssemos criar um
planeta, cada um criaria bem diferente, não? Sem ódio, mais paz, mais dinheiro
para todos, sem doenças ou sem morte,
quem sabe. A Cabalá responde a todas as perguntas que estão dentro de nosso
coração.
O problema não é
receber respostas. A Cabalá diz que elas já estão em nós. O problema são as
barreiras para alcançá-las. A Cabalá ajudará a abrir os portões para chegar às
respostas; não se trata de fé cega, pois se baseia no conhecimento.
O que é o conhecimento?
Na Bíblia, lê-se no gênesis que Adão conheceu Eva e ela engravidou
de Caim e depois de Abel. Como pode ser? Adão conheceu Eva e ela já engravidou?
como, engravidou? Portanto vê-se
que a Bíblia é um código cósmico e sem a ajuda da Cabalá não se entende uma
palavra. Quem leu a Bíblia de maneira simples, comum, não conheceu o sabor e o
gosto da Torah (que significa Bíblia).
Esse primeiro nível é
importante para todos. Zohar explica que o conhecimento ou sabedoria é uma
conexão íntima.
Todos sabemos que
morar em cidades grandes como São Paulo não é saudável, mas ainda assim as
cidades continuam crescendo, acumulando ainda mais poluição. O saber no mundo
físico não é a verdadeira sabedoria. A Cabalá ajuda a conhecer Deus, não a acreditar em um Deus, mas alcançar conexão íntima com a sabedoria cósmica universal, porque nessa
conexão Deus está dentro de nós. No
momento que fizermos a conexão com o Deus Uno teremos as respostas.
2º nível: SITREI TORAH
São segredos da
Bíblia: não existem livros escritos sobre
os segredos do Torah. Somente quando o indivíduo está pronto, o mestre lhe
passa telepaticamente, não por livros, mas por conexão espiritual. As pessoas
confundem, mas esclarecemos que o 1º nível está aberto a todos os interessados,
já o 2º nível não está aberto, mas para apenas aqueles que se encontram
preparados.
Não somente não
existe perigo em estudar Cabalá, como falam alguns, mas é importante que todos a aprendam, o que lhes
possibilitará evolução.
A Árvore da Vida
citada na Bíblia, tem semelhança com a Cabalá?
Sim, tenho certeza de
que você deve ter conhecimento da Árvore da Vida, a estrutura em Sefirot você
já deve ter visto, a Cabalá fala muito a respeito da Árvore da Vida, e iremos
abordar neste curso, aprofundar nos detalhes desta estrutura.
Comente Ilusão e Realidade
Temos a dimensão
espiritual e a realidade física. O mundo das separações, nosso materialismo,
isto a Cabalá chama de mundo das ilusões. Falamos sobre a realidade. Onde está
a verdadeira realidade? Está na dimensão espiritual. Porque? Porque a realidade
física é temporária, e a dimensão espiritual é eterna. O que chamamos ilusão
contra realidade.
Alguns detalhes sobre
cronologia da Cabalá:
Surgiu há mais ou
menos 3.800 anos. Depois de Abrahão, o conhecimento foi para Isaac, deste para
Jacó, e depois para seus 12 filhos, que formaram as 12 tribos de Israel e o
conhecimento se perdeu no Egito, até que surgiu Moisés. Ele queria libertar os
judeus não só da escravidão física como também da espiritual. Mas, devido ao
pecado cometido com o bezerro de ouro não conseguiu completar com sucesso sua
missão, só a metade foi revelada. Todos os 5 livros de Moisés explicam o como e quando das coisas. Mas
o porque não está escrito. Somente
1.500 anos depois de Moisés, quando foi revelado o Zohar é que se fica sabendo
o porque.
Até a era dourada na
Espanha, com a expulsão dos judeus é que se volta a ter conhecimento de
cabalistas quando estes se dirigiram para o Oriente indo para a Turquia e
alguns para Israel. Há 500 anos ressurgiu nova era dourada com novos nomes de rabinos, verdadeiros ‘gigantes’ na
Cabalá. Um deles, embora jovem, Ari tinha muita sabedoria e apresentou um novo
modo de se estudar a Cabalá e permitir a todos o acesso ao estudo baseado num
pensamento lógico, passos e método racional, adequado à nossa geração
intelectual, mas também voltada para o espiritual. O Centro de Cabalá ensina de
acordo com esse método. Todos nossos cursos se baseiam nos escritos de Ari, no
Zohar e, claro, nos ensinamentos do rabino
Berg, que fala de maneira bastante moderna e aceitável pelo público, o que é
importante para que se possa a Cabalá em nossa vida moderna.
Qual a diferença
entre Ritual e Espiritual?
A palavra Espiritual
já contém a palavra Ritual : ESPIRITUAL
O
problema
com a religião é que as pessoas fazem o ritual sem espírito. O espírito é que
nos dá o porque. Não somos portanto
mais simples robôs: aprendemos o propósito
de cada ritual.
O ritual tem também a
função da disciplina?
Lidamos com as 2
dimensões diferentes: consciente e inconsciente, Psicologia e parapsicologia, física e metafísica.
Eu posso treinar, disciplinar alguém de
maneira bastante robótica: a soldados no exército, a padres para um certa
cerimônia, por exemplo, você pode dar instruções e disciplina. Mas se a
disciplina não vem de dentro é algo compulsivo. A disciplina ou vem de dentro
ou é algo compulsivo. A Cabalá através da espiritualidade não aceita a
compulsão, porque a compulsão destrói outros objetivos. Assim, ela ajuda a
encontrar a disciplina interior e esta é eterna, sem auto-destruição, sem
auto-negação ou outro efeito negativo.
Temos então que o
ritual é espiritual. O ritual sem o espírito da pessoa fica compulsivo.
Os ortodoxos seguem a
Cabalá?
Existem inúmeros
grupos ou segmentos dentro dos ‘ortodoxos’ e não se pode falar genericamente.
Existem os que estudam mais, outros menos, tanto entre os judeus, não judeus,
ortodoxos, não ortodoxos, quanto entre outras nações. O que se vê de modo
geral, é que o número de pessoas que estão estudando Cabalá está crescendo.
Também o Profeta Jeremias dizia: ‘era virá onde o mundo estará repleto de
conhecimento; haverá tanto conhecimento que um não ensinará outro porque Me
(Conhecimento Cósmico) conhecerão: do mais jovem ao mais velho’.
A Cabalá tem relação
com os Upanishads da Índia?
Está escrito na
Bíblia que Abrahão tinha concubinas e servas e que as mandou ao oriente com presentes. O Zohar explica
que os presentes devemos entender não como presentes físicos: eram partes da
sabedoria da Cabalá, que foram enviados ao Oriente, leia-se Índia. Podemos
observar a similitude que há entre ABRAHAM e BRAHMA. Estamos falando de uma
consciência cósmica eterna, à qual Abrahão teve acesso, e todas as pessoas que
conseguem alcançar ‘Brahma’, podem também alcançar ‘Abrahão’, que não é mais um ser físico, mas
um ser eterno de conhecimento
cósmico.
05.05.98
Ministrador: Rabino
Yossef Salton
2º aula:
Os mistérios da
Criação: O propósito da humanidade. Qual é a causa da dor e do sofrimento, da
doença e da morte? Será que podemos ser uma raça feliz? Onde se oculta nosso
inimigo?
Iremos retomar nossa
última aula relembrando que o Centro de Cabalá foi fundado há 70 anos, com o
propósito de ensinar Cabalá a todas as pessoas. Após 70 anos podemos perceber
que estamos praticamente alcançando este propósito inicial. O rabino Berg e sua
esposa são os que no momento dirigem o Centro e têm milhares de professores
ensinando no mundo inteiro. O rabino Yossef é um dos alunos e também professor
do Centro de Cabalá. Nos últimos 20 anos podemos perceber uma boa mudança na
consciência das pessoas do ponto de vista cabalístico.
A consciência cabalística está se tornando
cada vez mais popular no mundo inteiro e as pessoas estão aprendendo a usar
seus benefícios na vida diária. Nosso cotidiano é muito tenso, muito cheio de
tensão, e tensão é energia. A Cabalá ensina como usar essa energia de modo
positivo e construtivo.
Além dos cursos e
livros tratando sobre esse assunto, também fazemos conexões espirituais
especiais. Há dias especiais durante o ano, onde os Portões da Espiritualidade
estão abertos e, amanhã à noite (13.05.98) é um desses dias (ou noites). Vamos
nos encontrar no Centro de Cabalá, todos os alunos, na R. Pereira Leite, 161
(Travessa da Heitor Penteado), onde temos um salão grande de reuniões e
sinagoga. Às 22 horas haverá uma palestra explicando a importância desta data.
Hoje em dia temos
prazer em estudar Cabalá, mas há 2 mil anos as pessoas não gostavam que o
conhecimento fosse aberto para todos... isto porque o Zohar ainda não tinha
sido revelado. Amanhã estaremos celebrando o aniversário do rabino Shimon Bar
Yochai o qual escreveu o Zohar por inspiração divina. Teve a possibilidade de
revelar para si mesmo e para todos os seres, os segredos do universo. Ele
escreveu uma profecia que dizia que aquela não era a época correta para se
estudar Cabalá, mas que viria era (a nossa) em que todos iriam procurar pela
sabedoria do Zohar, tornando-se este um
livro muito popular.
O estudo amanhã do
Zohar será à meia noite. Existe uma importância espiritual, segundo a Cabalá,
para a meia noite. Mas de maneira geral
podemos dizer que estamos falando de um determinado dia de uma determinada época,
onde os portões do paraíso estão abertos. Aqueles que souberem abrir os portões
e entrar, terão o prazer de estar lá. Aqueles que ainda não, espero que
aprendam rapidamente. Que os portões do paraíso, os portões da sabedoria da
Cabalá possam melhorar nossas vidas no mundo inteiro. Este era o verdadeiro
desejo do rabino Shimon Bar Yochai há 2.000 anos e está se tornando realidade
em nossa era.
Na última aula
falamos sobre Cabalá de maneira geral, também falamos sobre outras coisas que
estão acontecendo na nossa era: a nossa exposição a novas filosofias, a novas
revelações da ciência, que agora fala de metafísica e novas dimensões de
realidade. Existem conceitos muitos difíceis de compreender na ciência: ela
fala de mundos paralelos, por exemplo; estamos entrando numa nova era da
ciência que é a física quântica. E para os leigos isso não diz muito. Somente
ao estudar Cabalá poderemos aprender a ciência, porque a Cabalá há milhares de
anos vem falando sobre os mesmos conceitos que hoje a ciência aborda.
Qual é o sentido, o propósito da ciência?
O sentido da ciência
é ajudar a viver com mais conforto, com os recursos da tecnologia, com a ajuda
da medicina etc. A ciência quer descobrir as fontes do universo e para isso
gasta bilhões de dólares em colocar satélites em órbita, dirigidos à Lua, a
Marte etc., para trazer um pedacinho de rocha destes lugares.
A Cabalá também
começou quando um homem simples (Abrahão), que fez perguntas também simples e
queria conhecer a fonte da vida, a fonte do universo. Quando se conhece a fonte
se compreende o propósito. Quando se conhece o passado, pode-se conhecer o
futuro. A Cabalá fala de uma dimensão espiritual que está além do tempo, espaço
e ação.
A ciência está
atualmente falando a respeito destas novas dimensões. Não é somente a ciência
que fala sobre isso, mas também a Parapsicologia trata disso, explicando que
muitas de nossas atitudes biológicas são decorrentes do nosso estado mental. E
aí chegamos à conclusão que muitas de nossas atitudes físicas são governadas
pelo nosso ser espiritual. O mundo das
energias é a fonte do mundo físico.
Há 4 mil anos quando
Abrahão quis explicar isto a seu pai, que era um homem prático, muito racional
e que acreditava no mundo material, encontrou muita dificuldade... Naquela
época esse mundo material era chamado de idolatria, hoje de materialismo: é a
mesma coisa.
Graças às revelações
da ciência estamos hoje mais abertos às revelações da Cabalá. A Cabalá termina
o conflito entre ciência e religião; explica que a essência da religião e a
idéia da ciência são as mesmas.
Ao buscar as fontes
do universo estamos adentrando aos mistérios da criação.
Todo nós conhecemos
as histórias da Bíblia onde vemos que a Criação foi feita em 6 dias e depois
Deus descansou no 7º. Todos temos dificuldade em aceitar essa história, mas
está na Bíblia!
A ciência foi buscar
uma outra história. Depois de muito pesquisar chegou à teoria do Big Bang. De
acordo com essa teoria, o universo inteiro era uma bola que por algum motivo explodiu,
uma explosão tão tremenda que provocou a criação das galáxias, estrelas,
planetas, etc.
Como a ciência chegou
nessa teoria? Podemos observar que todas galáxias se movem numa única direção,
para fora, como estivessem se expandindo. Tal como um bolo cheio de passas:
quando o bolo cresce no forno, expande e as passas se separam, afastam-se umas
das outras. É o que ocorre no universo.
Então é lógico que
houve uma época em que as galáxias estiveram concentradas numa grande bola.
Quando ocorreu essa explosão (uma explosão muito difícil de medir em nossa
mente) é que se criou o universo e o formato físico do nosso universo. É uma
grande teoria.
A ciência prova que
esta teoria é correta. Quantos de nós conhecemos o Big Bang? Muitos, não é?
Vivemos numa era onde tudo está claro. A Ciência finalmente descobriu como e quando o universo nasceu. Mas, porque?
Aí vemos que apesar
de tudo estar claro, nada está claro! Porque posso construir a teoria mais
fantástica, porém se não trouxer respostas ao meu dia a dia, de nada serve.
Se ela souber porque o universo foi criado, esta
teoria pode até ser fantástica. Mas não
responde as verdadeiras questões que temos no coração: qual é o propósito da
vida? porque há vida? porque há o mal? por que fomos criados como seres humanos? o que
ou a quem servimos? qual o sentido
de trabalharmos dia e noite e desaparecer, como se nunca tivéssemos estado
aqui? São perguntas difíceis.
Também temos
perguntas a respeito de Deus. Se Ele estava envolvido nessa Criação, porque
criou a morte, doenças, guerra? Se existe um Deus lá em cima no céu, onde está
a justiça, pois vemos muita gente boa sofrendo e, diríamos, maus com uma ótima
vida! (Obviamente somos os bons que sofrem e o inimigos são os maus com boa
vida). Mesmo assim dá para se fazer esse tipo de pergunta. Porque tantas raças,
tantas diferenças na terra etc? Será que Deus realmente prefere uma nação a
outra?
Essas questões nos
levam à busca da fonte do mal. Porque existe a morte no mundo? quando Abrahão se fez essas mesmas
perguntas, ele percebeu que a verdadeira resposta não poderia ser encontrada no
mundo físico (nem num pedaço de rocha de Marte). Por isso então ele começou a
buscar essas respostas numa outra dimensão, além do mundo físico.
Vamos fazer esse
processo de pesquisa, agora, em nossa mente para que a gente possa encontrar a
resposta para a pergunta porque.
Porque vivemos? O que é a vida?
Como a ciência define vida?
Pelo “metabolismo”:
quando existe um ser com metabolismo este é um ser vivo; metabolismo é a troca
de matéria: a planta está viva porque tem metabolismo: recebe água da terra, e
depois compartilha, troca esse material
com a terra.
Pensava-se que as
plantas fossem mortas, sem vida, e há apenas algumas centenas de anos é que se
descobriu que tinham vida; antes disso os seres humanos e mesmo os cientistas,
400 anos atrás, achavam que as plantas não tinham vida. Por milhares de anos
convivemos com seres vivos que pensávamos que estavam mortos e até que um dia
nos demos conta que era o contrário. Ainda não acreditamos que as plantas
tenham inteligência (talvez leve mais 2 mil anos até que se perceba isso).
As plantas têm
inteligência? Uma pergunta desta, feita a um cientista convencional será
imediatamente negada.
Mas, mesmo se
vivermos milhares de anos ao lado de seres vivos, negando sua vida, não
significa que estejam mortos! O mesmo ocorre com a inteligência. É tudo questão
de meu desenvolvimento mental, da minha compreensão da inteligência, em
entender a vida e a inteligência numa outra forma. É importante saber o que é a
vida e também o que é inteligência.
Como a Cabalá pode nos ajudar a compreender a vida?
Não é fácil responder
essa pergunta. Comecemos então, com o propósito da vida. Porque vivemos? Será
só porque temos o metabolismo e trocamos matéria?
Vejamos esta
palestra. Podemos saber por que vocês vieram a este curso?
‘Pela curiosidade’.
Significa que são pessoas que gostam de adquirir novos conhecimentos;
‘Viemos em busca da
evolução; conhecer os segredos da Criação; melhorar nossas vidas; em busca de
desenvolvimento; auto-conhecimento; trabalho espiritual; buscar respostas.’
Vieram aqui para
sofrer? Se eu lhes dissesse: ‘Venham sofrer!’, vocês viriam?
Escolhemos coisas que
gostamos, que nos dão prazer. Espero que todos venham aqui para receber algo
que acrescente o nosso prazer de viver. ‘Eu quero o conhecimento por que eu sou
curioso e esse conhecimento vai acrescentar o prazer à minha curiosidade’. Se
eu vier aqui e a palestra for chata, amanhã eu não volto, não é assim?
Quando se diz que o
motivo é por uma ‘vida melhor’ diz-se de forma genérica, mas na nossa vida
individual ‘tornar nossa vida melhor’
significa ‘ter mais prazer’.
Se quero fazer um
trabalho espiritual com o meu ego: qual é o sentido desse trabalho espiritual?
é sofrer? o propósito é tornar a vida mais fácil e aproveitar mais a minha
vida.
Se busco respostas
‘de onde venho e para onde vou’, talvez seja porque o caminho que estou
trilhando está muito difícil, está obscuro e sem prazer, portanto quero
respostas para que possa sentir que este caminho seja mais prazeiroso e me leve
à auto-satisfação.
Se eu disser que o
propósito de todos os nossos desejos é o prazer,
temos uma resposta, um propósito importante e comum a todos.
Todos vivemos com o propósito de ter prazer (mesmo os
masoquistas: têm prazer na dor). Cada um recebe sua alegria de diferentes
meios: lendo livros, fazendo um trabalho espiritual, tomando um cafezinho.. não
importa que caminho seguimos, todos buscamos o prazer. Trabalhamos 10-12 horas
por dia para termos um fim de semana bom, morar numa boa casa etc.
O propósito da vida
para os seres vivos é o prazer. Só que tem um problema, e o rabino Yossef mesmo
teve uma experiência pessoal que lhe mostrou isso: ‘estava numa montanha diante
de uma linda vista e fiquei extasiado. A visão era tão prazeirosa que tinha a
impressão que poderia ficar lá para sempre; não queria mais voltar para casa,
nem para o trabalho. E aí, após 3 minutos, parei de ter prazer: era sempre a
mesma vista. Por que não podia ter mais prazer com essa vista? Queria ficar 10
horas ali e ter prazer com a vista, mas ele desapareceu. Voltei-me de costas
por um tempo e ao olhar novamente, o prazer retornou... passado um tempo,
foi-se embora outra vez.’ Esse acontecimento o fez começar a pensar... o mesmo
ocorre com aqueles que ao comprar um apartamento são seduzidos pela linda
vista, inclusive pagando até um pouco mais caro! Porém, quando compram o
apartamento, em pouco tempo se esquecem da vista, ficam entretidos com a TV,
com os afazeres.
O que aconteceu com o
prazer? Esse exemplo se repete a cada um de nós em sua própria vida: a compra
de um novo carro... por isso se troca de carro com tanta freqüência.
Há também o exemplo
ruim do fumante: no começo há o prazer de fumar para restar apenas o hábito,
difícil de se tirar.
No momento em que se
acostuma com algo (criando o hábito), perdemos o prazer.
Nós podemos dizer que
encontramos uma resposta para o propósito da vida. Uma pergunta muito difícil
que recebeu uma resposta muito simples. Isso é a Cabalá, muito simples... tão
simples, que é difícil acreditar que seja verdadeira; porque quando volto a
perguntar o que é a vida, como posso definir Vida, a Cabalá dá uma resposta
muito simples: VIDA é desejo.
Tudo aquilo que tiver
desejo está vivo. O que não tem desejo não está vivo. Quando o bebê nasce, suas
mãos estão fechadas, expressam seu desejo. quando
uma pessoa se vai deste mundo (morre) suas mãos estão abertas, expressando que
não há mais desejos.
A natureza nos ensina
muito. A planta está viva não só porque tem metabolismo, está viva porque tem
desejo. Posso não considerar esse desejo quando quero cortá-la, por exemplo;
também existem indivíduos que não consideram os desejos de outros seres
humanos. O fato de não considerar não
significa que não exista desejo.
De acordo com a Cabalá tudo tem desejo.
Existem 4 níveis de
formas de vida:
a
dos seres humanos,
o
nível animal,
o
nível vegetal, o mundo vegetal e
o
mundo material.
Sabemos que os
animais e os homens estão vivos. Já o mundo vegetal era considerado sem vida
até algumas centenas de anos atrás. Até que foram ‘ressuscitados’.
mas e o mundo
material? É a mesma coisa. Para a maioria das pessoas é um mundo morto. Não se
leva em consideração os desejos da cadeira para se sentar nela, ou mudar sua
posição para o nosso conforto; não pergunto ao carro de manhã cedo: ‘como se
sente e onde quer ir hoje’. Ao contrário, ligamos o motor e vamos determinando
a direção. Mas às vezes (raramente) ocorre que o carro vai onde ele quer: eu
queria ir para casa e de repente vejo que estou em outro caminho, como cheguei
lá? e o carro me leva por São Paulo inteira, eu me dou conta, e descubro o
caminho para casa; você se pergunta ‘como cheguei aqui nesse caminho?’ É um
exemplo que pode acontecer de vez em quando!
Existe também o exemplo
negativo: estou com pressa para chegar no trabalho e o carro não quer ir e diz
‘não, hoje é meu dia de folga’ e se o forço a ir, o que acontece? a máquina
quebra. Obviamente amaldiçôo o que ou quem eu quero amaldiçoar, mas se fosse
mais considerativo do desejo do carro, ou da porta, cadeira, ou qualquer outro
objeto material, talvez a vida fosse mais confortável. Porque na verdade o
mundo material existe para nosso próprio conforto.
O que ocorre
atualmente é que a maioria das pessoas sofrem devido às suas necessidades
materiais, é o que chamamos sufocamento
material, materialista. Porque de acordo com a Cabalá, a matéria também tem
vida e desejo.
todo universo está
cheio de vida, não tem morte. Mas nós temos que mudar nosso conceito de mundo
material, para que a gente possa viver num universo vivo, porque 99% do
universo no qual vivemos é material. Se fosse ao contrário, então, 99% de nossa
vida estaria morta!
Se houver uma
ressurreição desse mundo material aí estará se revelando um bom universo. Um
universo sem matéria morta. Um mundo de energia espiritual. É a respeito desse
novo universo que a Cabalá vem falando há muitos anos.
Porque é importante viver nesse universo?
Voltemos ao exemplo
da vista da montanha e o prazer. Quando vi a vista (mundo material) será que o
formato físico da vista é a fonte do nosso prazer? Sabemos que não! Há algo
além da forma física que é a fonte do meu prazer.
Assim também uma
maçã: perde o prazer depois da primeira mordida. Não é a maçã (físico) que é a
fonte do prazer. Existe algo além da maçã que esta aí me dando prazer. Esta
‘entidade’, além do mundo físico, que é a fonte do nosso prazer, a Cabalá chama
de A LUZ; não é físico, mas é uma fonte espiritual de prazer infinito.
O único problema
quando recebo esse prazer, é que este é finito
e preciso de outro pedaço de maçã para manter este prazer na minha vida.
O estado de nirvana é um estado que o
indivíduo atinge quando chega ao prazer infinito:
conecta-se com a Luz infinitamente.
A luz é o momento em 99% do mundo físico tem ressurreição; isso
acontece quando disse anteriormente ‘vida é energia’ e estamos muito próximos
desse momento, mas o mundo material tem que criar vida. E agora finalmente a
ciência diz que a matéria é uma ilusão. Até agora diziam que quem estudava
Cabalá enlouquecia, mas agora as pessoas que estudam Ciência também estão um
pouco ‘enlouquecidas’, pois o comum das pessoas se pergunta: ‘Esta mesa é ilusão (?!), mas eu estou
vendo!’
A ciência nos explica
isso de maneira muito simples. Nós estamos vendo uma forma física que não está
se movendo. Dizemos sobre a forma física que não se move (mesa) mas, na
essência há o incomensurável número de movimentos nesta madeira e que não
percebo pelos meus sentidos: vejo só um pedaço de madeira morta.
Somente quando
conseguirmos transcender a limitação dos 5 sentidos é que veremos e viveremos
num universo de vida e energia, e não de morte.
Morte, significa o
mesmo que fim, morte é a falta da
habilidade de receber prazer. quando
há vida há o desejo infinito de receber prazer. Isso é a vida. Porque
quando não tenho mais prazer, não estou mais vivo.
Existe a morte física
e a morte espiritual. Há pessoas aparentemente que têm vida física mas estão
mortas espiritualmente; e existem outras que aparentemente tiveram a morte
física mas não a espiritual, estão vivendo eternamente. Este é o exemplo do
rabino Shimon Bar Yochai com quem faremos conexão amanhã à noite. A intenção
não é relembrar o aniversário do rabino: nós mal conseguimos lembrar a do nosso
avô, quanto mais de alguém que morreu há 2.000 anos atrás! Queremos receber
dele os ensinamentos. Como ele conseguiu alcançar esse nível? Seu ser eterno
virá amanhã à noite, estará conosco durante todo o dia; existirão pessoas que
tentarão conectar-se com ele e receber deste canal o conhecimento da
eternidade. Mas existem outros que, por ainda não conseguirem, tentarão no
próximo ano.
Chegará o momento em
que todos terão que dar crédito a algo que mudará toda nossa vida. Se a ciência
está descrevendo nossa vida física como sendo uma ilusão, o que se tem a
perder?
Nossa habilidade de
receber o prazer que vem da LUZ é chamada de o recipiente. É nossa habilidade de receber a Luz.
Voltemos aos segredos
da Criação..
A Cabalá aceita a
teoria do Big Bang?
Não somente aceita,
como houve um cabalista chamado Ari, o Santo, que já há 500 anos explicava a
grande explosão do ponto de vista físico e espiritual, que explicou porque aconteceu a grande explosão:
No início da Criação
a luz e o recipiente conviviam numa total harmonia - isso de acordo com a
Cabalá é chamado Infinito.
Porque é chamado de
infinito: é uma instância infinita, é um tempo infinito? Não, é prazer infinito, onde o recipiente
recebia o prazer da luz infinitamente. Não nos referimos a nenhuma forma
material, estamos falando de recipiente que é o desejo ou inteligência; e
estamos falando da Luz que é a energia. Podemos
chamar o recipiente de inteligência cósmica, e a luz de energia cósmica.
Para nós neste
momento a inteligência cósmica é algo bastante claro.
A inteligência
cósmica é nossa habilidade de completar nosso desejo de ter prazer com a luz. A
energia cósmica (luz) é a fonte desse prazer.
A diferença entre
recipiente e a luz:
O recipiente tem o
desejo de receber esse prazer.
A luz tem o desejo de
compartilhar.
O que aconteceu no
infinito, antes do Big Bang?
O recipiente recebia
muito prazer. Também o chamamos como Ser Criado; a Luz chamamos de Criador.
O Ser Criado, o recipiente, recebe o prazer da
luz. Mas também receberia algo da Luz: o desejo de compartilhar que a luz tem.
O recipiente também queria compartilhar essa luz. Mas a luz não tem o desejo de
receber! A essência da Luz é só compartilhar. Por isso a luz é o Criador
e o recipiente é o Criado.
Sabemos atualmente,
de acordo com as filosofias esotéricas, que existem duas forças trabalhando no
universo: podemos chamá-las Yin e Yang, ou como na eletricidade: Positivo e
Negativo; o átomo também tem o elétron e o próton. Então o microcosmo e o
macrocosmo são o mesmo.
Se existe harmonia
existe a Luz
Se existe desarmonia
existe escuridão.
Os mundos espiritual
e material são iguais e seguem as mesmas leis cósmicas.
Havia harmonia no
Infinito por isso o recipiente estava cheio de luz e ao querer compartilhar,
não tendo a luz a habilidade de receber,
o recipiente sentiu-se inferiorizado. Da mesma forma se alguém nos presenteia
sempre, também queremos retribuir, para ter o equilíbrio de forças. Mas luz não
pode, não é capaz de receber. Então, na Cabalá houve o que se chama de ‘pão da vergonha’. Nos termos
psicológicos chamamos de complexo de inferioridade, o que causou a grande explosão.
Porque quando o
recipiente sentiu o pão da vergonha (recebia sem compartilhar), era tão forte
que não conseguiu mais receber e disse à luz “chega, não quero mais luz de você
enquanto sentir o pão da vergonha: preciso compartilhar”.
Esse pedido à luz
para que parasse, em termos cabalísticos, é a restrição. Significa que o recipiente restringiu o seu desejo de
receber o prazer da luz. Diz-se em hebraico: Tzimtzum.
Esta restrição do recipiente (no nível
espiritual) causou o Big Bang físico e a aparição do universo. A restrição não
foi repentina: foi gradualmente surgindo, o recipiente foi ficando cada vez
menor, e também aparentemente a luz foi diminuindo, até que chegamos ao ser
humano.
Este tem seu corpo
físico que é uma evolução do recipiente vindo do infinito, e também tem uma
alma, que é evolução da luz vinda do infinito.
Concluímos que o
homem é bastante importante. Não somos evolução do macaco; somos o resultado da
evolução da inteligência cósmica e energia cósmica combinadas numa única
entidade, a qual chamamos o ser humano.
Qual o propósito
dessa entidade nova? Como podemos ajudar neste universo de seres cósmicos? O
que viemos fazer num universo de seres cósmicos? O motivo, a intenção da restrição foi permitir ao recipiente livrar-se
do pão da vergonha. Como pode o universo ajudar ao novo recipiente a se
livrar do pão da vergonha? Como pode o ser humano ajudar nessa
situação...veremos na próxima aula.
Esse prazer em
receber luz podemos chamar de contentamento?
Sim.
Onde se encaixa o
dinheiro?
Imagino que o
dinheiro esteja na mente de todos nós. Definitivamente o dinheiro tem um poder
muito forte em nossa vida, é muito poderoso em nossa vida. A Cabalá considera
sua expressão em cheque, notas, moedas como sendo energia. Temos que aprender a
lidar com a energia do dinheiro, que é muito mais perigosa do que a parte
física do dinheiro. E iremos aprender como lidar com ela.
A restrição da Luz
criou a alma. A restrição do recipiente criou o corpo. E os animais? A
restrição criou todo tipo de alma?
De modo geral sim.
Qual a diferença entre a alma humana e a animal? A resposta está na quantidade
de energia: para ser alma de ser humano precisa de uma quantidade determinada
de energia. Se for menor será uma animal ou vegetal.
Nesse movimento para
chegar até a criação do homem, ficando a
luz e o recipiente menores, pergunto: existe um movimento de involução na
Cabalá?
Para mim novamente
estamos falando numa evolução de alguma coisa. Existe uma segunda fase que é
transformação. (A ciência fala a respeito de evolução de uma maneira
progressiva, mas isso é realmente regressão). É por isso que você, na sua
mente, só reconhece essa evolução com sendo uma regressão. O que é verdade! Mas
essa regressão também é uma progressão:
alguma coisa está progredindo mesmo que estejamos avançando e ao mesmo estamos
ficando menores (regressão), mas a próxima fase é transformação, que está livre
da evolução ou involução. É um novo conceito: transformação!
11.05.98
Ministrador: Rabino
Yossef Salton
3º aula:
O jogo da vida: Como
nos libertar da escravidão da terrível consciência robótica e explorar a
consciência cósmica (“A Luz”)
Começaremos hoje com um aviso a respeito de Shavuot, porque a
prática faz parte da Cabalá.
Dentre as
comemorações (Feriados judaicos) temos Shavuot em que celebramos o dia da
doação da Torah. Obviamente que a Cabalá dá outra dimensão a essa explicação.
Falaremos mais sobre isso na próxima 2º feira quando celebraremos o início da
lua Nova em nosso Centro, à rua Pereira Lima, 161, às 20:30h.
A Cabalá nos explica
que na festa do Shavuot temos a oportunidade de receber um ‘seguro de vida’.
O poder que foi revelado no Monte Sinai
quando Moisés nos deu a Torah foi o poder de ressurreição dos mortos: o que nós
também chamamos ‘os dias do Messias’. Mas com o pecado do bezerro de ouro essa
tremenda energia desapareceu de alguma maneira e vai sendo revelada a cada ano
uma quantidade pequena.
É uma grande
oportunidade participar desta festa: no sábado 30/5 às 20:30h iremos nos
encontrar para fazermos a conexão especial e podermos receber a festa de Shavuot; teremos um jantar
e depois uma leitura mais profunda sobre o significado desta festa. Inscrições
na 2º feira 25/5 ou na 3º feira próxima. Após a palestra, à meia noite, nós
começaremos o que chamamos de a correção
(Tikune) feita durante a noite de Shavuot, ficando acordados a noite toda até o
amanhecer, com estudo da Torah e Zohar e
todos nossos livros sagrados. Pela manhã teremos uma prece especial, com a
leitura dos velhos mandamentos e, durante a meditação, a nossa mente nos
transportará ao momento exato no Sinai onde a Torah nos foi dada, para recebermos
a energia de ressurgir dos mortos. No domingo às 8 horas haverá um café
especial chamado de café branco - só com produtos brancos:porque a Luz é branca
e branco representa compartilhar, dar. Assim nos conectamos com a energia de
doação da Torah. O preço por adulto será de R$60,00 incluindo a palestra,
jantar, estudo e meditação da noite, café branco e também o livro de orações de
Shavuot.
Na última palestra
começamos a explicar os segredos da
Criação. Perguntamos também sobre a origem, a fonte do mal.
Resumindo:
Nós fizemos um
paralelo com a teoria do Big Bang. A ciência alega que houve um momento em que
o universo era uma grande bola que explodiu, criando as infinitas galáxias,
planetas etc.
Ari (que há 500 anos
foi um cabalista no Norte de Israel) também explica sobre essa explosão, sob o
aspecto espiritual: a Cabalá sempre pergunta porque. Se houve explosão qual foi a causa? Abrahão diz que o único
lugar onde existem respostas verdadeiras é no mundo espiritual, além da
realidade física, além de tempo, espaço e movimento. Essa dimensão é chamada de
O Infinito.
Estamos falando de
uma dimensão espiritual. Chegamos a compreender pela nossa vida diária, quando
perguntamos: qual o propósito da vida? O motivo aceitável e conhecido para o
propósito da vida é para termos prazer com ela. ninguém gosta de sofrer, nem tem prazer com a dor.
Nós também concluímos
que existe uma certa força espiritual que nos supre de prazer. Essa força está além dos nossos sentidos: na
Cabalá é chamada de A Luz.
Os recebedores da Luz
são chamados de Recipientes.
A palavra Recipiente
define nossa habilidade de receber prazer. No mundo infinito a Luz deu e
compartilhou com o Recipiente o prazer infinito. E o Recipiente recebia a Luz
infinitamente. Havia harmonia entre a Luz e o Recipiente.
Mas a inteligência do
Recipiente também queria compartilhar a Luz. Mas a Luz não tem desejo de
receber, somente quer compartilhar; e a inteligência do Recipiente é de
receber.
A Luz é o Criador e o
Recipiente é a Criatura (o Criado). Podemos dizer que a Luz é a causa, o
Recipiente é o efeito.
Porque a Luz infinita
não tinha capacidade de receber do Recipiente, este se sentiu com o ‘pão da
vergonha’ (pão da vergonha é um conceito cabalístico). Veremos como esses
conceitos nos afetam diariamente.
Então ele não tinha
mais capacidade de receber mais Luz. O resultado é o que chamamos restrição, onde o Recipiente diminuiu,
restringiu seu desejo de receber, e aí, o Recipiente deixou o Infinito.
Não se deve pensar
que o Infinito seja algo que existiu ou está lá atrás na História, mas sim que
está aqui, a todo momento. Não estamos nos referindo a lugares físicos no
universo, estamos falamos de estados mentais.
O nosso estado mental
é que decide se estamos felizes ou não; se tivermos a capacidade de mudar nosso
estado de ânimo, de controlar a nossa mente, facilmente poderemos mudar de
tristes para alegres e felizes, sem ter necessidade de mudar, ir para longe, ou
fugir dos problemas. na realidade
está tudo na mente: tanto a tristeza, como a felicidade: depende da nossa
escolha.
O fato da restrição vem para nos ensinar algumas
coisas, que são regras de ouro:
1. não
há coação na espiritualidade: é a livre escolha. Porque quando o Recipiente
disse à Luz ‘eu não quero receber mais a Luz’, a Luz não forçou a si mesma para
ser recebida. A Luz permitiu ao Recipiente fazer o que quisesse e este decidiu
pela restrição; e foi isso que criou o universo.
2. o
Recipiente foi quem criou o mundo físico. Até agora vimos o universo ou a
realidade como sendo preto ou branco: “Estamos aqui em baixo, Deus está lá em
cima; Ele criou tudo, nós não sabemos nada, a gente tem que obedecer e não se
deve fazer perguntas”. A Cabalá tenta mudar esse tipo de atitude. Explica um
conceito muito importante: “nós somos responsáveis por essa criação”.
O Criador (Luz) criou
o mundo Infinito onde o Recipiente recebia somente o bem Mas, devido ao pão da vergonha, nós
(Recipiente) criamos um novo mundo.
3. o
objetivo dessa criação é eliminar o pão da vergonha. Daqui por diante não
se pode mais ficar se queixando a Deus, porque somos os responsáveis pelo que
criamos. Podemos até ter esquecido porque estamos aqui ou porque criamos este
mundo físico, mesmo assim, o motivo continua sendo o mesmo e temos que recordar.
Se não nos recordarmos, continuaremos vivendo constantemente na escuridão, o
que não se quer.
A palavra hebraica
para restrição é Tzimtzum. O que
aconteceu quando foi feita a restrição? Ela aconteceu de modo gradual. Um
Recipiente foi aparecendo após o outro, até que chegou ao ser humano.
Obviamente estamos falando de inúmeros Recipientes no universo.
Cada Recipiente é um
inteligência extra terrestre, com uma expressão física: pode ser um sol, uma
galáxia etc. Mas são apenas expressões físicas dos Recipientes. Estes são
também acompanhados pela Luz. A Luz também foi diminuindo, mas devemos
compreender que apesar de diminuir não mudou. Posso tampar meus olhos e a Luz
desaparece apenas para mim; para os outros não e a Luz continua exatamente
igual: tudo é relativo.
4. Tudo é relativo; Einstein esteve muito
próximo de revelar muitos segredos da Cabalá, por isso falava na teoria da
relatividade. Acabou com a física clássica Newtoniana e abriu novas dimensões
de pensamento. E mesmo 50 anos após sua morte ainda estamos tentando
compreender o que ele disse. Mas a Cabalá já vem falando em relatividade
milhares de anos atrás.
Tudo é relativo e
tudo é subjetivo. O único mundo objetivo
está no Infinito, onde a Luz é o Criador e o Recipiente é o Criado. Isso é objetivo,
não muda, é definitivo.
Mas quando deixamos o
Infinito, passamos a uma dimensão onde tudo é relativo e tudo muda. Tudo!
Luz Recipiente
A
Alma é evolução da Luz
O homem tem um corpo:
evolução
do Recipiente
Neste exemplo temos a
Luz e vários Recipientes. Estamos falando de níveis que estão evoluindo
gradualmente até chegar ao ser humano, que tem um corpo e uma alma. O corpo é
uma evolução do Recipiente e a alma é uma evolução da Luz.
Para onde devemos ir desse ponto em diante?
A intenção é que devemos voltar para casa e ai chegamos à
palavra TIKUNE, que é correção.
O que acontece no mundo da correção, do tikune?
É quando nos voltamos à escalada de retorno para alcançar
o Infinito, agora sem o pão da vergonha; quando devemos lembrar que o único
motivo de estarmos aqui é o pão da vergonha.
Explicando um pouco
melhor o que é o Pão da vergonha: todos nós já tivemos a experiência em que
alguém estaria nos dando em demasia e não queríamos ficar em dívida com essa
pessoa. Queríamos devolver para ficar em nível de igualdade, pois ficando em
igualdade podemos receber e dar novamente.
É o mesmo fenômeno entre pais e filhos. Os
pais querem dar em demasia e os filhos em vez de amar mais os pais, rebelam-se
e chegam até a odiar. Os pais não entendem,
mas é por causa do pão da vergonha; foi exatamente isso que aconteceu lá no
Infinito. O Recipiente somente recebia e não podia compartilhar. É isso que nos
impede de voltar ao Infinito.
Assim, se permitirmos
que os filhos dêem algo, estaremos ajudando para que recebamos nossa ajuda sem
vergonha. Mas há muitos pais que ficam ofendidos se os filhos lhes dão alguma
coisa: ‘deve ser o contrário’. Mas sem compartilhar não se pode receber! Esta é
uma regra dourada muito esquecida.
No nosso mundo tudo é
relativo: os pais e seus filhos são comparados relativamente à Luz e ao
Recipiente. Neste ponto de vista onde os filhos são o Recipiente e onde os pais
são a Luz, também vemos que existe o pão da vergonha: os pais naturalmente dão,
mas os filhos (que são os Recipientes) se só receberem constantemente, chegará
um momento em que vão sentir o pão da vergonha. Os pais devem dar aos seus
filhos uma oportunidade de compartilhar.
Se nós recipientes
tivéssemos a capacidade de compartilhar com a Luz não teríamos feito a
restrição. Isto não está escrito, mas quando o Recipiente fez a restrição houve
um momento em que a Luz desapareceu e veio a escuridão. Não nos referimos a uma
escuridão física, mas a uma escuridão espiritual.
A Luz é expressão de
toda bondade. E a escuridão é a expressão de tudo que é mau. Vamos prestar
atenção nesta escuridão. Usamos chamar a escuridão
no palavreado diário de MAL.
O que ou quem criou a escuridão?
Foi o próprio
Recipiente, que diminuiu, restringiu o
seu desejo, fechou seus olhos. E agora relativamente o Recipiente está vivendo
na escuridão. Temos uma realidade subjetiva porque a Luz nunca parou de
compartilhar; somente o Recipiente criou uma nova realidade, que nós chamamos
de ilusão. Porque ilusão? Porque é
somente temporário. Porque o Infinito é a verdadeira realidade, porque é
eterno.
Essa realidade física
é apenas o caminho, pelo qual caminhamos com a intenção de eliminarmos o pão da
vergonha e voltarmos ao infinito;
mas aí já sem o pão de vergonha.
É por isso que temos
a escuridão: para que pudéssemos compartilhar. Compartilhar o quê? compartilhar a Luz. Porque? Voltemos ao
exemplo anterior: o único modo de
receber mais presentes de outro é quando me sinto no mesmo nível que ele. Se eu
me sentir inferior não poderei receber esse presente. Referimo-nos a ‘inferior’
como o estado emocional a ser
mudado. O Recipiente tem que se sentir no mesmo nível que a Luz; somente aí que
vai ter a capacidade de receber a Luz.
O principal processo
de correção está na Terra, onde há mais escuridão. Portanto, é onde podemos dar
mais Luz e assim ficarmos mais equiparados com a Luz.
Assim, mesmo sendo o ser humano o nível mais
baixo dos Recipientes, sua posição é muito importante: todos os outros
Recipientes dependem dele, porque quando compartilha e ao compartilhar
revela a Luz, todos os outros Recipientes também recebem a Luz. E é aí que
ele começa a escalada de volta ao Infinito.
O que significa compartilhar a Luz?
Seria bom dizer que
quer compartilhar a Luz com todos. Mas devemos lembrar que vivemos num mundo
físico. Seria fácil dizer ‘eu amo o mundo todo!’. Não é fácil sair dessa sala e
praticar o amor. Vivemos entre dois extremos: amor e ódio. Todos gostamos de
amar e se amados mas a maioria odeia e é odiado. Qual é o segredo do amor, qual
o segredo do ódio? Às vezes quero compreender uma pessoa, convivemos dias,
semanas, meses inteiros, tudo em vão. Os pais desejam ficar com seus filhos,
amá-los, e ano após ano sofrem porque não conseguem compreender porque seus
filhos os odeiam!
A Cabalá explica que no momento em que o ser humano não
trabalha com a Luz, isto significa que quando não há afinidade de formas entre
Recipiente e a Luz, então existe o ódio.
O ódio é uma palavra muito pesada, mas a fonte
do ódio é a desarmonia, a não afinidade de formas entre Recipiente e Luz. Todas
as guerras na terra, todas as guerras entre as nações: a fonte de todo ódio é a
não afinidade de formas entre os seres humanos e a Luz. A única maneira de se
livrar do ódio é alcançar uma afinidade de formas com a Luz e aí chegamos ao
amor.
O amor é afinidade de
formas com a Luz. Tanto faz que seja amor e ódio entre pais e filhos, marido e
esposa, entre nações ou qualquer outra coisa. No momento que existe o ódio, a
razão deste ódio recíproco, é que ambos estão muito distantes da Luz. No
momento que existe amor significa que existe afinidade de formas com a Luz.
Existe outro tipo de
amor, o amor mais físico, mais temporário, que pode atrair os jovens ao
casamento, mas depois algum tempo brigam entre si e se divorciam. Perguntamos,
para onde foi o amor? Não era amor verdadeiro, porque o amor verdadeiro é
afinidade de forma com a Luz.
Como se consegue a afinidade? Esse é o único
motivo de estarmos vivos. No momento que compreendermos isto, compreenderemos
tudo. Tentemos compreender como a Luz física é revelada. Devemos compreender
que na Cabalá o mundo físico e o mundo espiritual são o mesmo.
A Luz compartilha,
então o Recipiente
recebe o sinal Å recebe o sinal Q
a coluna central é o
filamento
que une, exatamente
como na lâmpada
O que acontece se
unirmos o sinal + com o -? Dá-se uma explosão, um curto circuito, um ‘pequeno
Big Bang’. É assim que a Cabalá nos ensina a restrição, ou o que podemos chamar
de coluna central.
Exatamente como na lâmpada: como é que sua luz
física é revelada? A eletricidade já existia antes de T. Edson. Ele não revelou
a eletricidade; ele revelou a restrição, a restrição física da lâmpada que
capacita a Luz física de ser revelada. Isto é que foi a grande revelação de
Thomaz Edson.
Obviamente isto é uma
lâmpada física.
Os cabalistas
revelaram sua restrição interior.
Normalmente
movemo-nos num momento sendo reativos ou em outro momento sendo proativos. Qual
a diferença? Se uma pessoa me agride eu imediatamente reajo: isso é o sinal de
-, imediatamente expresso meu desejo em receber. Eu recebo Luz, mas aí existe o
curto circuito. Existem outras vezes em que tem alguém muito zangado, está
quase explodindo e as pessoas olham para ele, afastam-no para um canto e pedem
para respirar, relaxar. Porque fazem isso? Para estabelecer dentro desta pessoa
novamente a restrição, para trazer de volta o equilíbrio; mas às vezes não
funciona e explodimos.
A Cabalá nos ensina
como implantar dentro do nosso recipiente o
princípio da restrição para que nos tornemos proativos e não reagir à
raiva, à provocação, às notícias à nossa volta, imediatamente.
O problema é nosso
próprio ego. Podemos compreender isso e achar muito bom, mas numa discussão, o
ego diz: ‘você tem que mostrar que você tem razão’ e será difícil lembrar da
aula. É por isso então que devemos nos preparar, porque na realidade o nosso maior inimigo está dentro de nós.
Para isso temos práticas espirituais onde estamos
fortalecendo nosso sistema proativo. Muitas pessoas, centenas de milhares de
pessoas já ouviram e dizem ‘Desde que comecei a estudar Cabalá mudei, tenho
ficado menos zangado com as pessoas, vejo que as coisas que me incomodavam
terrivelmente meses atrás hoje mal são notadas, sinto-me mais confortável’.
Estamos fortalecendo nosso sistema
proativo. Essa é a única maneira de revelar a Luz e em seguida receber essa
mesma Luz sem o pão da vergonha.
O que acontece quando
reagimos ou quando queremos receber sem restrição? Nós abrimos uma porta para o
mal, nós causamos o desaparecimento da Luz; é esta a fonte do mal: nosso
próprio desejo egoísta de receber. Nós criamos o mal.
A cada momento que reajo a qualquer coisa, crio o
mal e aí(Deus nos livre) existe mais escuridão no mundo.
O único ser que pode
revelar a Luz e o único responsável pelo mal é o homem. Por isso temos o Livre
Arbítrio. Então, decidam o que vocês querem.
Como pais devemos
receber não somente o doce, ou biscoito (exemplo de uma criança pequena), mas também a energia que os filhos querem
dar. Aí pode-se sentir fluir a troca de energias, que é o que chamamos de amor.
Subconscientemente a
criança percebe o pão da vergonha? Definitivamente, sim!
Reagir não pode ser
construtivo?
Quando falo reativo,
digo reagir de forma negativa. Reagir de forma positiva é ser proativo. Ex.:
Usualmente comportamo-nos assim: cumprimento a uma outra pessoa e nem espero
que responda, nem ouço o final da sentença e já estou reagindo. Isso é a
consciência robótica que não me permite escutar o outro: todos concordamos, nos
queixamos, por duas horas, despedimo-nos e no dia seguinte acontece a mesma
coisa; é o sistema reativo. Se tentarmos não falar por 2 a 3 segundos, já
ficamos desconfortáveis; precisamos dizer alguma coisa. ‘Mas o que estou
dizendo? estou falando a mesma fofoca de ontem, o que disse no último ano: as
mesmas queixas, as mesmas fofocas, nada de novo!’ Mas se eu parar e pensar:
porque encontrei essa pessoa agora? o que eu tenho que posso dar a essa pessoa,
e, ao dar no que posso realmente ajudá-la? Eu posso me ajudar a eliminar o pão
da vergonha! Porque ‘também quero receber alguma coisa e pelo fato de que não
recebo não compartilho’, estamos constantemente repetindo sempre a mesma coisa,
constantemente, sem parar, sem nenhuma mudança. Mas depois de talvez 5
segundos, eu vou mudar completamente aquilo que me vem de impulso falar, e
talvez venha na minha mente um novo pensamento e vou compartilhar com ela algo
que venha realmente ajudá-la na sua vida; nesse momento sou proativo. Estou
fazendo restrição, estou mudando meu desejo de receber para o de compartilhar -
estou me tornando proativo.
Posso entender que
quando fala de comportamento reativo como um comportamento mecânico, e o
proativo como um comportamento mais consciente?
A Cabalá chama a
consciência robótica de Satã. Satanás não é algo com chifres ou rabo, mas um
sistema robótico ao qual servimos como escravos. E às vezes damo-nos conta de
estar fazendo os mesmos erros e não conseguimos mudar. É como se alguém estivesse
rindo às nossas custas. Nossa própria consciência robótica não nos permite
libertar a alma e energia desses erros. Por isso precisamos de práticas
espirituais. Para que se possa gradualmente, passo a passo, libertar dessa
consciência robótica, Satã. Porque Deus não criou Satã e sim nós, e somente nós
podemos de-criá-lo (não existe esta palavra, mas define bem).
Se uma pessoa é
atacada não pode reagir?
É relativo. deve-se ver caso a caso. Há o limite ao
perigo de vida. Mas se uma pessoa me ataca, ‘passe o dinheiro’, qual é minha
reação? Pego uma arma e mato essa pessoa? ‘Eu reagi, estava protegendo minha
vida!’ Existem outros tipos de reação: posso também fugir ou dar o dinheiro! O
que significa ser proativo?
vejamos o exemplo do
que aconteceu com dois alunos do Centro de Cabalá em Nova York. Foram
assaltados na rua. Um negro pediu dinheiro, jóias, a carteira, tudo. O marido
teria entregado tudo, mas a esposa de repente gritou com o assaltante: ‘você
não pode pegar isto tudo (jóias, dinheiro), não é seu! você devia ter vergonha
de estar fazendo isso’. O homem mudou
sua atitude dizendo ‘eu não quero tudo isso, só quero o bastante para comer’.
Dizendo isso tirou o que lhe bastava e foi-se embora. Nesse caso ela foi
proativa, pois viu que o outro mudou de atitude. Ela não planejou essa ação;
foi algo que se acumulou dentro dela através das palestras, atividades
espirituais etc. Naquele momento foi proativa, não reagiu ao seu medo ou ao
medo do seu marido e a Luz veio através dela. aí
a pessoa de repente mudou, ficou mais gentil, mais humana... porque no final
das contas, todos nós somos seres humanos.
Se temos o livre
arbítrio e se o povo judeu tem um pouco mais de estudo da Cabalá, porque não se
consegue teoricamente ter períodos de paz?
Podemos dizer que
enquanto judeus não estamos estudando suficientemente a Cabalá. Há 20 anos era
totalmente proibido o seu ensino. Hoje temos mais e mais rabinos ensinando e
isto é o resultado de muita proatividade. Espero que o próximo resultado seja
que quanto mais exista estudo da Cabalá no mundo, haja também mais paz.
Nesse momento não
existe ainda gente suficiente estudando Cabalá. Darei nas próximas aulas
exemplos em que muitos estudavam, e eram períodos muito pacíficos na História.
18.05.98
Ministrador: Rabino
Yossef Salton
4º aula :
26.05.98
Hoje falaremos sobre
o poder das letras hebraicas e ao final participaremos de uma meditação. Vamos
usar letras hebraicas durante essa meditação, além d emantras hebraicos. Antee
de começar gostaria de dar uma explicação sobre as línguas em geral e também
sobre o desenvolvimento e evolução das línguas no mundo inteiro.
Vamos voltar na
história e podemos fazer uma conexão com
a Bíblia. Ela nos conta sobre uma certa geração, chamada a geração da
Babilônia. Todos conhecem a história dessa geração. A Bíblia conta que pessoas
como nós, que viviam em algum lugar no Oriente, pode ser na área chamada a
Mesopotâmia. Lá construíram uma torre. É descrita como começando na terra e seu
topo chegava aos céus (segundo a Bíblia). A Bíblia não é a única que descreve a
torre de forma pitoresca. Está na realidade nos contar alguma coisa.Quer isso
dizer algo. O Zohar diz que não se tratava apenas uma torre física, mas também
uma torre espiritual. Ou podemos dizer que era uma torre que tinha poderes
espirituais. A expressão na Bíblia ‘que o topo alcançava os céus’ esse era o
propósito segundo o Zohar. Aqueles que construiriam a torre queriam alcançar o
que conversamos ontem à noite: uma comunicação intergalática. Obviamente
vivemos numa era em que podemos falar coisas novas hoje sem estranhar, pois a
ciência tem aberto novos modos de pensar, e também a ciência faz pesquisas e
abre novos horizontes: por isso que ela manda mensagens de rádio ao universo,
para que talvez daqui a 100...500 anos recebamos resposta de algum lugar.
Eiremos saber ou talvez descobrir que existem formas de vida, em outras
galáxias, constelaçòes ou planetas. Através desta pesquisa da ciência nos
possibilita compreender melhor o Zohar.
Não eram primitivos
os indivíduos que construíram a torre de Babel. Também tentaram mandar
mensagens ao universo, para que conseguissem receber mensagens de inteligências
superiores que vivem no espaço. A Bíblia continua essa descriçào dizendo que
Deus desceu para olhar o que essa pessoas estavam fazendo, como se Deus
estivesse de férias, ocupado no paraíso e se esqueceu de nós. E então nós como
crianças ficamos peraltas na ausência do pai. Assim foi como a humanidade
entendeu a Bíblia por milhares de anos. O que significa ’Deus desceu para
olhar’? Será que Deus não sabe o que está acontecendo o tempo inteiro? Também
diz a Bíblia que Deus estava zangado e puniu essa geração da Torre de Babel: na
expressão hebraica significa que Ele embaralhou suas línguas e espalhou os seres humanos nos 4 cantos da
Terra.
A tradição nos conta
que foi desa maneira que surgiram as línguas. Os homens da ciência, os
arqueólogos acham isso um conto de fadas. Arqueólogos provam que muito antes da
construção da Torre de Babel já existiam outras línguas e esta história não
prova nada.
Obviamente que o
Zohar diz que tudo que está na Bíblia é
um código.
Deus desceu: implica
que seres de inteligência superior desceram, visitaram a Terra, porque a
diferença entre ciência e espiritualidade é que a ciência leva mais 500 anos
até desenvolver uma teoria e a espiritualidade diz q eu tudo é aqui e agora. No mundo das energias não existe
tempo, espaço, está além da ilusão do tempo e movimento. Quando falamos
comunicação intergalática imaginamos algo a milhões de milhas longe, Não é
verdade.
Seres de inteligência
superior estão entre nós o tempo todo. O propósito da Torre era conectar
constantemente com esses seres, para que o seres humanos como nós terem
constantemente contato com esses seres.
Isso significa Deus
desceu para ver o que os homens faziam. Deus segundo a Cabalá ;e a consciência
universal combinada numa só consciência e também tem vários níveis de
consciência que conhecemos com sendo os nomes de Deus. Então o que aconteceu?
Zohar a língua falada
era hebraico. Não o hebraico que conhecemos hoje, nem o da Bíblia. Essa língua
era chamada a língua sagrada. Porque língua sagrada e não linguagem sagrada?
Sagrada em hebraico é
Kadosh.
o que significa uma
pessoa sagrada, um lugar sagrado ou uma língua sagrada?
Falamos de luz e
escuridão. Explicar: vivemos num mundo de escuridão espiritual para poder
receber a oportunidade do livre arbítrio e compartilhar a luz, ou seja,
felicidade, amor, conhecimento, tempo, paciência. Tudo vêm da luz.
Compartilhando nos libertarmos do pão da vergonha, para receber da luz o que
queremos, esse é o sistema de santidade. Explicamos que luz era sinal +
(positivo) e o recipiente - (negativo). Na coluna central é a restrição tal
como a lâmpada que tem um filamento que
restringe a natureza do receber e causa o fluir da energia. Se juntasse o + com
o - teríamos o curto circuito. Podemos ver que nesse caso, a lâmpada fica preta
(no físico, a expressão da escuridão espiritual). Escuridão espiritual ou
sistema não sagrado.
- +
Qualquer sistema como
sistema central é ....
Sagrada em inglês é
HOLY; brincando com essa palavra, se colocarmos um W antes fica WHOLY todo,
totalmente, completo.
O sistema sagrado é algo completo. Não existe
nada mais completo que o ... onde luz fluir eternamente. Isso é completo. Se
dizemos que um indivíduo é sagrado, tem o livre fluir da energia.
a lâmpada rejeita a
luz ...
Nos homens também
somos assim.
Quando trabalho em
harmonia conectado com sistema sagrado revelando a luz existe um constante
fluir de energia sem fim. Mas se os dois pólos se encontram o choque queima:
nós explodimos de raiva, ficamos cruéis. É a expressão da conexão com sistema
não sagrado.
Língua sagrada?
Porque não linguagem sagrada? Simples: Holly tongue: estamos nos referindo à
língua que á sagrada. Posso pegar qualquer coisa física e usá-la para o bem ou
para o mal. Pode ser amor, dinheiro, conhecimento e com a linguagem do mundo.
Ela não me faz sagrado. Se falo a língua sagrada não fico sagrado.
A expressão significa
a língua: que o indivíduo deve transformar sua língua e libertar sua consciência
para receber egoisticamente em usar
sua consciência para compartilhar e aí
então sua língua física que torna sagrada porque sua mente também fica sagrada:
ou seja, livre fluir de energia ...
Ao contrário: posso
usar o que é ‘sagrado’ mas minha língua sagrada...
Torre de Babel: foi
uma geração específica que conheceu como usar a língua sagrada. Por isso também
falavam uma única língua sagrada. Essa uma linguagem cósmica. Essa língua
cósmica permitiu às pessoas encontrarem esses seres de inteligência superior.
Aconteceu que depois
de um tempo - continuavam a linguagem cósmica, mas sem a língua sagrada e
pararam de se compreender (monólogos paralelos)
Porque sempre
perguntamos: ‘você me entendeu?” Porque sabemos que mesmo com mesma linguagem
se não tiver conectado com mesma consciência não nos entendemos.
A confusão
prevaleceu. Acontece atualmente. A Bíblia .... a Torre de Babel somos nós.
Quando uma pessoa
fala com língua sagrada, a linguagem sagrada recebe a comunicação em
consciência intergalática, onde podemos injetar nossos próprios pensamentos e
receber respostas , o que precisamos desses seres de inteligência superior.
Mesmo que a consciência dos seres humanos ficou em confusão em Babel, as letras
sagradas não mudaram. Alfabeto hebraico.
Fizeram experiência:
computador ouvindo som de vozes, desenhava os sons. Dizendo A o computador fez o desenho bem parecido com a
letra A; vibração do som conecta-se com o formato das letras hebraicas; Por
isso as letras hebraicas são consideradas os tijolos que constróem a linguagem
cósmica.
Mas temos que tornar
nossa lingua sagrada. Como? Ouvimos: a vida e a morte dependem da lingua: más
linguas e agora aprendemos a sagrada pois tudo depende de nossa mente.
Maus pensamentos
sobre algúem ,falou e tem aí a lingua má. Não existe conexão entre o que se
pensa que se compreende e a própria verdade. Na nossa compreensão robótica
lingua sagrada é falar hebraico, mas não é.
Portanto, significa
mudar nossa consciência.
O que houve após a
ocnfusão com a lingua cósmica: foi divida em várias linguaguens, sendo 2
principais: o aramaico e o hebraico.
Zohar foi escrito em
aramaico e traduzido ao hebraico, tal como uma moeda com 2 faces. Duas
linguagens mais uma só língua = o total.
Quando revelaremos a
lingua sagrada, total, cósmica? Quando todos estivermos falando com nossa
lingua sagrada!
Grupos de seres com
consicência maior pode usar a linguagem sagrada? Sim.
O Zohar revela a
semente dos segredos dessa linguagem sagrada, de cmo purificar nossos pensamentos.
nesse quadro
revela-se a smeente da mudança. Existem 72 nomes porque cada palavra é o nome
de certo ser de inteligência supeiror ou
72 nomes de Deus. O que é? São os nomes de Deus que desceram até a torre
de Babel. Nós estaremos usando e aprendendo mais ou mantra: som que não tem
significado lógico, mas repetindo na meditação nós estaremos hábeis em mudar
nosso processo de pensamento,
Todo mantra é
sequência de 3 letras, criando uma nova cosnciência na nossa mente.
...
Não escolheram ao
acaso, mas para se conectar com seres supeirores.
Por acso ... formam
Moshe - Moisés. donde Zohar tirar esses nomes = Bíblia.
Agrupou 3 versículos
da Bíblia no capítulo Beshaha qu fala da abertura do mar Vermelho e Shimon
creiou os oooo72 nomes numa sequência específica. Cada verso também tem 72
letras!
Para isso faremos um
exercício de meditação: Visualizemos letras de imprensa
em letra manuscrita:
Pronucia-se:
Ayin,
lamed, mem
Este mantra (em letra
de imprensa)deve ser apenas visualizado,
se quisermos, podemos repetir com o coração: seu propósito é Purificar os pensamentos
A escrita é feita da
direita para a esquerda e também a visualização.
Relaxa, respira, traz
letras à mente, luz branca nas letras, depois traz à cabeça.
No próximo sábado ,
no calendário corresponde a quando
Moisés trouxe os mandamentos do Sinai.
Moisés queria fazer um Tikune (correção
cármica) da Torre de Babel, mas não completou.
A cada ano fazemos
conexão espiritual parcial para voltar no tempo da revelção no Sinai e receber
a energia que não recebemos naquela época.
Sábado às 17:30h
haverá Seuda Shlishit - conexão especial com a Terceira Refeição do Shabat.
Cancelar a guerra de Armagedon - que é a batalha final antes da redenção.
Às 19:30 Havdalá -
atividade espiritual para continuae pela semana toda com a energia positiva.
Às 20:00 Acendimento
das velas de Shavuot , conexão
Às 20:15 Palestra
“Tikune da Noite de Shavuot e Seguro de Vida’ onde explicará mais sobre o
‘Seguro de vida’ que queremos receber à noite.
Às 21:30 Jantar de
Shavuot
À meia noite - Tikune
Leil Shavuot - Tikune para mudança.
Até as 5 horas da
manhã de domingo, com Reza da Manhã - Shacharit - Leitura da Torá - conexão com os mandamentos para receber
energia do 10 mandamentos no Sinai
Às 8 horas - Kidush -
Bufê de Leite
Recebimento do
Machzor de Shavuot, livro de orações de Shavuot.
Ministrador: Rabino
Yossef Salton
5º aula : A “Magen David”; a caridade espiritual
para a elevação da nossa consciência.
Hoje falaremos sobre
Magen David, a Proteção de David - normalmente chamada de a Estrela de David. A
tradução correta de Magen é a proteção ou protetor.
Todos conhecemos como
ornamento, talvez simbolize nossa conexão com o judaísmo, e também há os que
não são judeus mas usam porque gostam do desenho ou sintam que o desenho lhes
faz sentirem-se bem.
A pergunta que
fazemos na Cabalá é qual o sentido dessa estrela, desse protetor de David? qual o sentido destas 6 pontas da
estrela de David? Se formos explicar a forma física veremos que o Magen David é
composto por dois triângulos contrários Ñ D interpostos: Y
é um símbolo religioso. Mas existem outros símbolos religiosos que conhecemos à
nossa volta. Por exemplo, no Egito antigo as pirâmides que também são
triângulos, mas em três dimensões e
continuam sendo até hoje um grande mistério. Há os que conhecem as maldições
dos faraós, e outros que fazem
pesquisas sobre seus efeitos energéticos. Sabe-se que cada forma tem um campo
energético à sua volta e também dentro. É por isso que as pessoas copiam as
mesmas proporções da pirâmide e colocam dentro dela meia maçã, que permanece
fresca, sem estragar por muito tempo; ou põem mel num pote com uma pirâmide
dentro e as formigas não entram. Por aí podemos perceber que as pirâmides não
são só monumentos do passado, mas algo que os Faraós
construíram baseados em grande sabedoria. Talvez para se sobreporem a poderes
físicos naturais; existe até uma teoria de que construíram sobrepondo-se
inclusive ao poder da gravidade, com o poder da mente, a fim de elevar aquelas
pedras que pesavam toneladas. Eles teriam capacidade de conectar com aquilo que
conhecemos como o poder da antigravidade.
Se também formos a
Meca, que é cidade sagrada dos muçulmanos, veremos o Kaba: é novamente uma
construção de pedra, quadrada, à qual os muçulmanos fazem peregrinações, e dão
voltas ao seu redor. Teorias falam sobre a santidade da Kaba. Alguns dizem que
há uma pedra, quem sabe um meteorito, com muita energia dentro dela.
Assim, podemos
observar que as religiões se relacionam com formas físicas, como as pirâmides.
Após os Faraós, as pessoas esqueceram a respeito desta sabedoria das pirâmides,
e sobrou somente o formato físico. Mas agora estamos revelando uma parte dessa
sabedoria.
A mesma coisa pode
ser aplicada ao MAGEN DAVID: é um formato físico e depois de muitos anos nos
esquecemos do seu sentido espiritual, o que iremos recordar.
Nas primeiras aulas
falamos da Luz e do Recipiente. Fizemos uma referência entre mundo infinito e o
mundo no qual vivemos. O que fez a separação das duas dimensões foi a
restrição. O Recipiente foi ficando cada vez menor e criando vários níveis de
inteligência. Quantos níveis existem? Podemos dizer que são inúmeros,
incontáveis.
Mas iremos relacionar
10 principais: cada nível é chamado de SEFIRÁ
(hebraico)
A SEFIRÁ tem dois
significados:
1. Um vem da palavra contar
1.2.3.4.....
2. O outro é colocar limites. O que fazemos ao contar? Separamos, colocamos limites.
Por exemplo: Quando
pergunto quantas cadeiras há nesta sala? se respondo “muitas”, a minha mente
não separou as cadeiras. Mas, para saber exatamente, tenho que começar a
separar e contar as unidades.
Aqui é a mesma coisa:
o recipiente no Infinito não tinha separação ou limite, mas depois da restrição
(Tzimtzum) o recipiente tornou-se limitado e cada recipiente é como se
estivesse sendo contado, separado dos outros recipientes. Este é o outro
significado de SEFIRÁ : LIMITE ou FRONTEIRA.
Os 10 níveis da SEFIRÁ
ou os 10 SEFIROT (plural) são:
1. |
KETER |
(lê-se kéter) |
=Coroa. Esta foi
primeira SEFIRÁ, primeiro
recipiente, que apareceu logo após a
restrição |
2. |
CHOCHMA |
(hohmá) |
= Sabedoria |
3. |
BINA |
(biná) |
= Compreensão, inteligência |
4. |
CHESED |
(héced) |
= Gentileza (melhor tradução) ou Misericórdia |
5. |
Gevurah |
(guevurah) |
= Grandeza |
6. |
TIFERET |
(tiféret) |
= Beleza |
7. |
Netzach |
(netzah) |
= Vitória ou
Eternidade |
8. |
HOD |
(hod) |
= Glória |
9. |
Yesod |
(iessod) |
= Fundamento,
Fundação |
10 |
Malchut |
(mal-hut) |
= Reino (Este é o
Reino da Coroa) |
Essas palavras foram tiradas
de nossa linguagem diária, mas a ordem não está de acordo com nosso pensamento
lógico. Gradualmente iremos aprendendo mais sobre as Sefirot.
As SEFIROT dividem-se
em 2 partes:
·
3
superiores e
·
7
inferiores
As três superiores estão além da nossa
realidade física. Relacionamo-nos com as 7 inferiores. O nº 7 é conhecido como
um número místico: repete-se nos 7 continentes, nos 7 oceanos, 7 firmamentos, 7
dias da semana. Isto significa que nós nos relacionamos com o ciclo dos 7 que,
é claro, se relaciona com as 7 Sefirot.
O mesmo acontece com o MAGEN DAVID.
Apesar do MAGEN DAVID
ter um formato físico, a Cabalá nos explica que tem também importância
espiritual. Ele manifesta as formas das
7 Sefirot inferiores na nossa dimensão.
Desta maneira a
Sefirá CHESED se conecta com o lado direito do MAGEN DAVID, a Sefirá GEVURAH
com o lado esquerdo e a TIFERET com a coluna central. Este é o triângulo ou
tríade superior.
De acordo com a
Cabalá as Sefirot representam o caminho pelo qual a luz flutua até a terra. De um nível para o outro a Luz vem
descendo, o recipiente vai ficando mais denso, mais escuro e a Luz gradualmente
vai ficando mais fina, até alcançar MALCHUT,
que é o nosso mundo e a maior
escuridão.
Mas lembrem-se que
pelo fato do nosso mundo ser o mais denso e mais escuro de todas as outras
Sefirot, temos maior Livre Arbítrio, para que possamos revelar muito mais Luz.
Quando falamos sobre
MAGEN DAVID estamos falando do estado de
consciência do recipiente:
A tríade superior é o
estado potencial e
a tríade inferior é o
estado da manifestação.
É por isso que as
Sefirot inferiores são as mais conectadas com nosso mundo. À direita (Netzach), à esquerda (HOD) e no centro
(Yesod)
A 7º fica no centro
(MALCHUT) recebe toda energia do Magen David para dentro de si.
TIFERET
GEVURAH CHESED
MALCHUT
HOD Netzach
Yesod
Podemos observar que
estes dois triângulos têm, respectivamente, um a base para baixo e outro para
cima. Significa que o propósito da Cabalá, o objetivo, é alcançar o equilíbrio
entre o mundo espiritual e o físico.
As pirâmides têm uma só base em baixo, que
representa a entrada da luz de cima para baixo .
Já o MAGEN DAVID tem também o sentido contrário, que manda de volta para
cima; não somente recebendo, mas retornando.
Isto também vem nos
explicar o mundo da correção (Tikune), onde começamos a escalada de volta,
ajudando as inteligências e as Sefirot para que elas possam receber mais Luz, e
juntos, possamos escalar de volta para o Infinito.
Essas Sefirot são inteligências muito elevadas; nós somos
muito físicos, como conectar com elas?
Precisamos de
maneiras que possam fazer a conexão entre nós e as Sefirot. Da mesma maneira
que sabemos que existe eletricidade na tomada, precisamos de instrumentos entre
nós e a eletricidade para que se possa revelar essa energia. A essa maneira chamamos
carruagens.
O que é carruagem: é um recipiente que
carrega a pessoa de um nível para outro. Nossos Profetas e Patriarcas são as carruagens para as
Sefirot. Apesar de terem sido seres humanos como nós, eram muito elevados
espiritualmente, tanto que usavam o corpo, somente, como canal para revelar a
Luz. Ex.:
1.
Abrahão é a carruagem para
Sefirá de CHESED - Abrahão foi o
canal que manifestou a inteligência de chesed neste mundo ao abrir sua tenda
para os 4 cantos do mundo, mostrando gentileza com todas as pessoas; isto
trouxe a energia de CHESED (Gentileza) para o mundo. De acordo com a Cabalá
mesmo que o corpo físico de Abrahão não esteja mais entre nós, mesmo assim a
energia de Chesed está conosco para sempre e ao pronunciarmos o nome de
Abrahão, conectamos com a energia que foi por ele revelada.
2.
Yitzchak (Isaac) é a
carruagem para a Sefirá de GEVURAH
(Grandeza ou Bravura). Quem é corajoso sobrepõe-se à sua inclinação ao mal.
Quando Abrahão cumprindo ordens do Senhor quis sacrificar seu filho Yitzchak (Isaac), ele aceitou, mesmo
tendo 37 anos, não sendo o ato de uma criança submissa tal como geralmente é
retratado - como criança ou um jovem. (Abrahão contava 137 anos). Ele aceitou o
desejo de seu pai e se sobrepôs ao seu próprio desejo. É por isso que ele é a
carruagem da Sefirá de Gevurah que significa Bravura ou Grandeza.
3.
Ya’cov (Jacó) é a carruagem
para a Sefirá de Tiferet (Beleza), que combina a direita e a esquerda, e
juntas formam a tríade superior.
Tríade inferior:
4.
Moshe (Moisés) é a
carruagem para a Sefirá de Netzach (Vitória ou Eternidade) -
porque trouxe vida eterna para o universo; por isso que ele é a carruagem, a
manifestação da energia de Netzach no mundo.
5.
O
sacerdote Aharon Ha-Cohen (Aarão) é
a carruagem para a Sefirá HOD
(Glória) - quando costumava servir no Tabernáculo sua presença mostrava a
glória de Deus, em sua beleza, roupas, e apresentação.
6.
A
carruagem Yossef (José) o Santo,
para a Sefirá Yesod (Fundamento). Quando José sobrepôs-se à sedução da
esposa de Potifar, ajudante do Faraó, isto lhe propiciou ser a carruagem do
fundamento e da base do mundo, pois o mais difícil é sobrepor-se à sedução.
7.
David é a carruagem da MALCHUT
- apesar de não ser o primeiro rei de Israel, o destino de Israel se firmou com
ele.
Jacó - Ya’cov
(Beleza)
Isaac - Yitzchak TIFERET Abrahão -
Abraham
(Grandeza) (Gentileza)
GEVURAH CHESED
MALCHUT David (Reino)
Aarão - Aharon Moisés - Moshe
(Glória) (Vitória ou Eternidade)
HOD Netzach
Yesod
(Fundamento)
José - Yossef
Estamos falando não
só no formato físico MAGEN DAVID, mas também da estrutura espiritual que é
eterna, e nossos Patriarcas na realidade não morreram: a energia deles no
formato do MAGEN DAVID está sempre conosco.
Pode-se observar que
em cada oração, em cada meditação existe sempre elemento de MAGEN DAVID.
Vamos à palavra Magen
- Proteção ou Protetor que transfere a energia dos Patriarcas para nós; em
hebraico, é formada por Men, Ginem (guinem) e Num, as iniciais dos anjos.
As letras Men, Ginem
e Num representam 3 palavras e cada letra vai formar uma palavra que se conecta
com os anjos Miguel, Gabriel e Nuriel:
|
Miguel |
|
|
Gabriel |
|
|
Nuriel |
|
sendo Miguel (+)
formando a direita, Gabriel (-) formando a esquerda, e Nuriel a coluna central.
Para a Cabalá os
anjos não têm asas, nem saem voando à nossa volta: são também canais de
energias; e nós também criamos anjos. É dito que cada vez que uma pessoa faz
uma boa ação, cria um anjo e o anjo transfere a energia dessa boa ação para
onde deve chegar.
Pelo fato do anjos
serem somente canais, eles não têm livre arbítrio e não tem inclinação para o
mal. Somente transferem energia de um lugar para outro. É dito que cada anjo
tem somente uma única missão. Nós seres humanos temos inclinação para o mal, e
por isso temos o livre arbítrio e várias missões.
Em cada nível em que
nos encontramos temos outra missão a completar. Por isso vamos de um nível a
outro, nós escalamos, os anjos não têm
capacidade de escalar mas também não descem. Nós podemos descer, para subir outra
vez: são os altos e baixos da vida.
Temos 3 anjos que são
responsáveis pela nossa proteção. Por isso MAGEN = Proteção. O Rei David sabia
como formar um escudo protetor à sua volta antes de guerrear, porque sabia que
suas batalhas não eram somente no campo físico, eram espirituais e o inimigo
também não era somente físico. É como se fosse uma guerra entre inteligências,
e através do poder da mente e da meditação recebia a energia dos Patriarcas e
Profetas.
Nós também temos
batalhas na vida para sobrevivência. Temos que compreender que o gerente não é
nosso inimigo, nem determinadas coisas. O nosso inimigo está dentro de nós. Se
quisermos livrar-nos dele e não quisermos que volte, esse escudo protetor
impede que energia ou consciência satânica retorne a nós; assim funciona o
Magen David.
A maioria das pessoas
pergunta como e onde usá-lo?
Veremos nas próximas
aulas e cursos que o Magen David é a mais poderosa ferramenta na meditação. Se
alguém já quiser meditar, deve sentar-se, pensar no formato do Magen David A
e pronunciar o nome dos Patriarcas: Moisés, Abrahão, Jacó, David, Isaac etc.
Compreendendo que nós somos o reino, que nós somos David, temos capacidade de
trazer sua presença, sua energia para nós.
Comentários e
perguntas:
A letra HAI
De acordo com a
numerologia é 18 - significa VIDA
No Yoga tântrico, Pratic é o símbolo principal
de meditação com a estrela de David, dentro de um círculo com uma suástica ao
contrário (bem pequena) em baixo. Significa Espiritual, Material e
Transcendente.
Observa-se que os
hebreus falam muito nos Patriarcas, e as Matriarcas, não têm expressão
relavante?
- Temos a palavra
Israel. É também um outro nome para o Patriarca Jacó - que é a carruagem
Tiferet (Beleza). Israel é também Jacó, quando ele alcança o nível mais
elevado.
Em seguida, o rabino
Yossef faz uma relação entre as letras de Israel e os nomes dos patriarcas e
matriarcas (Israh, Sarah, Lea...), pois foi com a ajuda delas que Jacó
conseguiu escalar para um nível mais alto.
02.06.98
Ministrador: Rabino
Yossef Salton
6º aula : O corpo do homem - o corpo é o templo da
alma. A poluição da mente e como fazer para nos purificarmos; MEDITAÇÃO.
Após termos
conhecimento das 10 Sefirot e do Magen David, iremos estudar a respeito do
corpo humano e no final da aula faremos uma meditação.
O corpo não é somente
uma entidade física. Segundo a Cabalá podemos dizer que nosso corpo é o templo
da alma. É como um recipiente que pode conter diferentes energias, ou seja, às
vezes (+) positivas e às vezes (-) negativas. Por isso é importante ter
controle das energias que entram na nossa mente e no nosso corpo.
De acordo com a
Cabalá a estrutura espiritual do corpo físico seria exatamente como o
microcosmo e como o macrocosmo: o macrocosmo é tudo que existe fora de nós e o
microcosmo é o que está dentro de nós.
Na Bíblia há um verso
que diz ‘Deus criou o homem à sua própria imagem’. O que significa que Deus tem
uma imagem e o que nós temos de Sua imagem?
Pela Cabalá, Deus não
é algo que tenha uma figura ou estrutura. Nós o
compreendemos como sendo uma energia infinita de compartilhar e quando está na
Bíblia que o ‘homem foi criado à imagem de Deus’ significa que nossa essência
espiritual também é energia. A única diferença é que Deus é o macrocosmo, e o
homem é o microcosmo, tal como a gota que contêm os mesmos elementos do vasto
oceano; a única diferença é que esses elementos estão numa proporção menor.
Veremos agora a estrutura espiritual, a estrutura
energética do nosso corpo e como se relaciona com as 10 Sefirot.
O que são essas 10
Sefirot? São os 10 níveis de energias,
como se houvessem 10 canais de energia que revelam a Luz infinita. Elas também se encontram dentro de nós.
Relembremos as 10
Sefirot: Falamos que do Infinito o
recipiente restringiu o seu desejo de receber e gradualmente evoluiu ou desceu
até este mundo. O primeiro recipiente que apareceu foi o keter (coroa), depois CHOCHMA (sabedoria), bina (compreensão), chesed (gentileza/misericórdia), gevurah (grandeza), tiferet (beleza), netzach (vitória/eternidade), hod(glória), yesod (fundamento/fundação) e por último malchut
(reino).
Com nossa mente
lógica podemos perguntar: qual a conexão entre coroa e a sabedoria, entre
gentileza e a misericórdia e todas essas Sefirot?
Para que pudéssemos
compreender, os chasidim explicaram que as Sefirot são atributos; como se Deus,
a Luz, tivesse os atributos como o homem; mas devemos compreender que a Luz no
infinito não tem atributos.
Podemos dizer que as
Sefirot são como filtros: se
pusermos um filtro preto ou azul não muda a Luz do sol; a Luz não muda nunca, o
que muda é o recipiente que recebe a Luz.
Detalhando um pouco
mais diremos que o primeiro recipiente que recebe a Luz, e também a revela, tem
o poder da coroa.
Keter - é o primeiro
que recebe.
O que é a coroa?
A coroa normalmente
está na cabeça do rei, mas não pertence ao corpo do rei: pertence ao reino. Por
isso dizemos que para cada ação existe um pensamento pré-ação, um pensamento
antes da ação. Keter, a coroa é a manifestação, ela é a semente das
manifestações que vão acontecer em Malchut. É o potencial de manifestação.
O recipiente que vem
depois da coroa expressa a sabedoria
do universo, a sabedoria cósmica. Nós também, quando começamos a aprender algo,
antes de compreender há um estágio em que estamos ficando sábios. Aí vem os
estágios: intelectual, o lógico e o racional, que juntos são a compreensão (Bina).
Por exemplo: Para
construir uma casa:
· Dizemos ‘queremos uma
casa’ é o estágio de keter e chochma.
· Depois na mente
conseguimos visualizar ‘a casa’, é o estágio da compreensão (Bina), onde estamos estruturando a
sabedoria.
· A seguir vem os
próximos 6 estágios, que são os 6 passos para o desenvolvimento, onde a pessoa
atravessa estágios de chesed onde ela é
misericordiosa(gentileza);
· para construir a casa
precisamos ter grandeza, força(gevurah);
· expressar a beleza
dos nossos pensamentos, da nossa mente (tiferet);
· essa é a vitória (netzach)
de se sobrepor aos obstáculos, para que se possa expressar o pensamento
eternamente.
· Temos a glória (hod),
que podemos dizer que é expressão física da beleza de nossa idéia.
· Depois temos a
fundação (yesod) que é a expressão física da nossa idéia,
· e aí temos Malchut que é a manifestação completa
da nossa idéia: a casa está totalmente construída e o reino inteiramente
revelado.
Veremos como essas 10 Sefirot também se encontram no
nosso corpo:
Keter - coroa - está na
cabeça. Não falamos de coroa física mas de um canal espiritual. De acordo com o
yoga ouvimos também falar dos chakras, que são pontos energéticos no corpo, e o
mais alto deles está no topo de nossa cabeça.
Chochma e Bina
cada uma delas representa um lado (hemisfério) do cérebro: lado Direito e lado
Esquerdo.
O cérebro direito é Chochma; também conhecido como a parte
do cérebro que pensa e vê as coisas de modo abstrato.
O cérebro esquerdo é Bina: mais prático, mais manifesto.
Na estrutura do corpo:
O braço Direito tem a energia de chesed que significa
gentileza: por isso é bom ao se fazer atos de compartilhar, fazer caridade, dar
um presente, usar o braço ou mão direita - para se revelar essa energia.
Quando nos damos as
mãos usamos a direita para revelar a energia da gentileza. Há lugares no mundo
em que se cumprimenta com a esquerda ou onde está se começando a usar a
esquerda: é uma nova ‘onda’: quando isso começa, vem em ondas e se torna uma
ação automática quase mecânica, é bom prestar atenção, estar atento. Apenas
mostra nosso comportamento e seu significado. Posso escrever com a mão esquerda
- isso não tem importância, pois mesmo os canhotos cumprimentam-se com a
direita. Se eu quiser compartilhar algo usarei a direita.
Quando estamos dando
o braço direito expressamos desejo de compartilhar e se a sociedade ou as
pessoas começarem a mudar isso, usando a esquerda ela expressa o desejo de
receber. Por isso Gevurah significa
força, grandeza.
Nosso corpo superior
é Tiferet - a Beleza;
Temos a perna direita
que é Netzach - Vitória/Eternidade
a perna esquerda é hod
- Glória
os órgãos sexuais são
o fundamento - Yesod
Os pés são Malchut - o reino,
apesar de separados fisicamente, espiritualmente estão conectados.
Este é o ser humano
de acordo com a Cabalá:
Keter
Esquerdo = Bina Direito =
Chochma
Tiferet
Yesod
Hod Netzach
Malchut
Nossa face também está construída com as 10 Sefirot:
Na testa é o keter;
Os olhos são chochma - que traz a sabedoria para a
pessoa;
Os ouvidos são bina - traz não somente compreensão,
mas também o equilíbrio. Por isso esse sistema
está dentro do ouvido: tem 3 partes, que equivalem novamente às 3 colunas: a da
Direita, a da Esquerda e a coluna central.
O nariz é a Sefirá de
ZEIR ANPIN que inclui as 6 Sefirot juntas e por isso recebe esse nome (em
aramaico significa ‘pequeno nariz’ ou ‘pequena face’): chesed, gevurah, tiferet, netzach, hod e yesod.
A boca é malchut.
Keter
Ch
esed
Chochma
Zeir gevurah
Bina Anpin tiferet
netzach
hod
Malchut
Yesod
O que queremos dizer
é que cada parte do nosso corpo tem uma energia diferente e precisamos
enriquecê-lo com essa energia através da meditação; devemos trazer a Luz do
infinito para dentro do nosso corpo. Assim é que fazemos de nosso corpo o
templo da nossa alma. A alma é parte pequena dessa energia infinita que está
buscando o recipiente.
Se ele estiver cheio
de energia negativa, a alma não consegue descansar, portanto, é importante
purificar interna e externamente o corpo. A purificação externa pode ser feita
por rituais ou métodos físicos: a água purifica fisicamente o corpo. Mas para
purificar o corpo internamente precisa usar o poder da mente. Nossa mente,
nosso cérebro, deve usar a capacidade que tem para entrar no corpo e conhecê-lo
por dentro.
Por exemplo, se
falarmos de cura, o que é isso?
Imaginemos que o
corpo tem canais que conectam cada parte do corpo com a alma, como se fossem
canos. Nossa alma injeta energia para que o corpo continue vivo e em
funcionamento.
Se uma pessoa faz uma
má ação, ex.: rouba - por que não é bom roubar?
A maioria das pessoas que rouba se dão bem. Alguns são pegos. Mas
sabemos que na era moderna o crime compensa.
Vejamos um fato real:
um indivíduo roubou 50 milhões de dólares; não era bandido e sim pessoa
importante na sociedade. Foi a julgamento, saiu nos jornais e pegou 10 anos de
prisão. Por ser idoso, respeitável, ter bom comportamento na prisão, saiu em
4-5 anos. Trabalhar 4-5 anos por essa soma vale a pena! Se devolveu, no máximo
foram 10 milhões; vê-se que mesmo se for pego, o crime compensa. Se o crime não
compensasse, não seria ‘profissão’ tão popular.
Ao dizermos “roubar é ruim” vemos que nossos valores
morais não nos ajudam a construir uma sociedade melhor. Somente ao estudarmos
as leis espirituais do universo sabemos o que ocorre quando uma pessoa rouba:
imediatamente começa um processo de bloqueio de energia do seu braço, direito
ou esquerdo. Pode ser que depois de 10 anos roubando, ela tenha um acidente e
venha até perder o braço ou a mão. Dizemos ‘foi um acidente’ mas foi um
processo! Aconteceu que suas más ações
cortaram completamente o fluxo de energia da alma para o braço.
Este é um exemplo de
roubo. Mas temos também outros tipos de comportamento: o ciúme, a raiva,
inveja. São emoções que temos em nós. A pessoa pode ser boa, honesta, mas por
dentro é frustrada, guarda rancor. Depois de algum tempo essa energia negativa
bloqueia algum outro canal, provocando um problema maior, por ex.: úlcera.
Portanto ao
estudarmos meditação e até aprendermos como
manter o corpo funcionando espiritualmente, também estamos aprendendo a
continuar tendo saúde. Isso é purificação.
Não se faz a
purificação para o bem de Deus. Quando um pessoa está mais purificada, ela sente a abundância divina mais
fortemente dentro de si. Nós fazemos
isso para poder receber essa energia.
Todos já ouvimos
falar nos 72 nomes sagrados ou 72 mantras. Eles aparecem no calendário
cabalístico. Cada nome tem um propósito diferente.
Vamos por em prática
a meditação sobre o nome proposto: Ayin, Lamed, Mem
É importante se fixar
no formato das letras.
cOMO MEDITAR:
Faremos um exercício simples de relaxamento:
· um processo de
respiração
· visualizamos as letras à frente dos olhos
· trazemos uma Luz
branca de cima
· que atravessa as
letras e
· penetra no corpo
começando pela cabeça (que é a parte mais importante: cérebro)
· passa pelo lado
direito, pelo lado esquerdo,
· traz para a parte
frontal do cérebro (a parte frontal é a parte consciente)
· para a parte traseira
(a traseira é o inconsciente)- queremos purificar as duas partes
· continuamos no nosso
corpo trazendo a Luz para olhos, ouvidos, nariz, boca, limpando de todas
energias negativas
· descemos para nosso
peito, para os braços, coração, limpando-o também de emoções negativas e
· continuamos pelo
resto do corpo, seguindo até os pés.
Vamos ficar com
postura relaxada, mas com a coluna reta.
Faremos a meditação
com os olhos fechados, mas se não nos lembrarmos do formato da letra poderemos
abrir para olhá-los e pegar a imagem e depois continuar com os olhos fechados.
Fechando os olhos...
vamos concentrar a mente em nosso ser interior .... começar a respirar pelo
nariz, lentamente.... puxando o ar para dentro do pulmão... e aí, exalando para
fora.......... nossa mente se concentra somente na respiração.... tente sentir
o ar entrando no corpo.... fluindo até os pulmões... em seguida, fluindo para
fora através do nariz...........
Agora vamos respirar
mais profundamente....nosso corpo fica mais pesado..... os músculos
relaxam......a nossa mente se concentra somente na
respiração......................
Vamos desenhar diante
dos olhos as letras Ayin, Lamed, Mem.......... agora a Luz branca desce lá de
cima.....atravessa as letras e entra pelo nosso corpo....começando pela
cabeça......vamos sentindo a Luz branca entrando no nosso cérebro.... tirando e
livrando de toda escuridão...
Começamos na parte
frontal do cérebro......... depois na parte traseira do cérebro... direita... e
esquerda ................ a Luz branca vai descer para os olhos, ouvidos,
nariz, boca.... até que toda a cabeça esteja cheia de Luz branca
............................. a Luz continua a descer pelo nosso corpo, no
coração, limpando e purificando nosso coração de todas emoções
negativas.....................
a Luz continua a
descer em todas as partes do corpo: da ponta dos dedos das mãos descendo até os
dedos dos pés..........
estamos numa bolha de
Luz branca que nos rodeia, e protege de todas energias
negativas.................. agora as letras desaparecem e a Luz volta a
subir................ vou contar até 3 e podem abrir os olhos: 1...2...3
Pode-se meditar todo
dia 15 minutos e, se tiver prazer, pode fazer duas vezes: pela manhã e à noite,
no máximo até 22 horas, por causa do cansaço, para não dormir e, sim, receber a
energia positiva.
Para cura há um
mantra no quadro dos 72 nomes, está na primeira linha, 5º quadrado (da direita
para esquerda): MEM,HEH,SHIN - não é importante saber pronunciar e sim
concentrar-se na letra.
Há antes dele no 4º
quadrado da 1º linha o AYIN, LAMED, MEM que pode ser usado associado a ele. A
seqüência: AYIN, LAMED, MEM ajuda-nos a purificar nossos pensamentos e nossas
emoções.
Podemos começar com Ayin, Lamed, Mem, e depois passar para Mem, Heh, Shin tal como na meditação feita agora, passando a Luz
pelas letras. Saúde para o corpo e para a mente.
É normal esquentar os
pés na meditação?
- Durante a meditação
podemos ter sensações diferentes, por ex. sentir o corpo pesado, outros sentem
estar flutuando, pode acontecer de parte dele ficar muito quente ou muito fria.
Quando parte do corpo fica muito quente é porque estamos usando em demasia
aquela parte, com acúmulo de energia. É por isso que devemos soltar a energia
dessas partes, permitindo que ela saia e entre uma nova energia. Existe uma
técnica de como fazer através de respiração, porque ao tirarmos os ar dos
pulmões estamos tirando de todo o corpo e aí respiramos e trazemos nova
energia. O processo de respiração é muito importante na meditação.
Quando o corpo fica
frio é ausência de energia?
- Nem sempre, ou por
que a pessoa está usando métodos de cura ou aquela parte do corpo não está
recebendo energia suficiente e temos que meditar para regular. Quando está
usando métodos de cura para outras pessoas pode sentir seu corpo muito frio -
porque é normal nesses processos ficar frio. Não é normal se não estiver usando
processo de cura.
Estar usando o
processo de cura para outra pessoa seria visualizar esse símbolo projetando
nela?
- Em essência seria
isso, mas se não tiver experiência, se não aprendeu como fazer isso, sugiro que
use somente em você mesmo por enquanto. Faremos um seminário específico de cura
no mês que vem em data a ser marcada.
As Sefirot coincidem
com os chakras, mas são independentes?
- As Sefirot são algo
mais geral, e os chakras mais espefícos. Há 7 chakras principais e estamos
falando sobre 10 Sefirot. Existem também niveis e pontos de energia em nosso
corpo. Como dissemos: na face temos as 10 Sefirot e no corpo também. Se formos
ver, em cada uma dessas partes há coisas
diferentes. Esta é uma maneira muito geral de falar das Sefirot e o corpo humano.
No próximo curso e em outras meditações estaremos detalhando um pouco mais.
Agora alguns avisos
sobre o nosso curso e a continuação dele.
O objetivo de estudar
Cabalá é continuar estudando, tendo em vista nossa evolução e desenvolvimento
como ser humano.
Estudar, fazer o
curso básico é muito importante, mas é só o básico. Ao fim do curso teremos um
workshop com palestra, meditação e terapia de grupo. A continuação de Cabalá 2
será no nosso Centro no Sumaré e estaremos contentes de tê-los conosco. Poderá
ter um grupo à tarde desde que tenha pelo menos 10-12 pessoas. O ideal seria
continuar em seguida a este, mas depende das férias; continuaremos direto.
Depende das viagens de férias dos membros do grupo.
09.06.98
Ministrador: Rabino
Yossef Salton
7º aula : Homem e Mulher - Porque somos diferentes
um do outro? Qual é a função espiritual do Homem? Qual é a função espiritual da
mulher?
Hoje veremos a
relação homem - mulher; o relacionamento dos sexos segundo a Cabalá.
Não usaremos
abordagem psicológica do comportamento, na realidade estamos mais interessados
em compreender as diferenças espirituais existentes, e tentar resolver alguns
desses problemas psicológicos e sociais que existem entre homens e mulheres.
Nos últimos 100-80
anos podemos notar uma mudança na situação social das mulheres. Essa mudança
social é resultado de um processo que vem há milhares de anos. Também é
decorrente direto da opressão que a mulher vem sofrendo nos últimos 2.000 anos,
e o que nós chamamos a Idade Média ou Idade das Trevas, onde o ponto mais alto
dessa opressão ocorreu com as mulheres morrendo em fogueiras acusadas de serem
bruxas. Na nossa era já ouvimos falar em mulheres que teriam uma intuição
espiritual, ou um 6º sentido - podemos dizer que a vida da mulher aqui na terra não tem sido fácil. Até hoje em
muitas culturas são consideradas cidadãs de segunda classe. Mesmo assim, nos
últimos 100-80 anos houve uma grande mudança no seu status, através da
liberação feminina e também devido a mudança de consciência relativa às habilidades
e consciência femininas.
Mesmo assim podemos
perceber que, apesar de termos aceito seu novo status, ainda está difícil para
que as mulheres sejam equiparadas ao mesmo nível dos homens.
Isso é um problema
social bastante grave. Há religiões em que mulheres não podem tomar parte em
cerimônias religiosas. Por outro lado, outros grupos religiosos estão tentando
dar nova vida à mulher, tentando sanar esse problema. Até os dias de hoje, Deus
é considerado um homem de barba branca; nunca pensaram nEle como Mulher. Só por
aí vemos que existe um complexo psicológico na mente humana. Tentaremos expor
este problema e resolvê-lo com ajuda da Cabalá.
De acordo com a
Cabalá a solução do problema feminino não ocorrerá se misturarmos as coisas.
Explico porque:
Pela Cabalá o homem e a mulher não são iguais. Não me refiro aos
seus direitos ou à justiça. Definitivamente o homem e a mulher devem ser
julgados e devem ser dadas oportunidades iguais. O ponto que quero me referir
é: qual é a diferença espiritual existente entre eles. porque existe homens e mulheres no mundo? Porque nascemos
como homem ou como mulher?
Voltemos às Sefirot.
Temos as 10 Sefirot
que na essência são 5: Keter, chochma, bina, zeir anpin (que inclui 6 Sefirot) e malchut.
Que significam essas
Sefirot? São inteligências cósmicas e nós somos a manifestação delas. Agimos e
nos comportamos de acordo com as Sefirot. Mesmo que tenhamos a impressão que
somos nós que fazemos, que somos nós que decidimos, somos somente o resultado
do que foi resolvido lá em cima pelas Sefirot.
Como funcionam as
Sefirot?
Já explicamos que as
3 superiores são somente espirituais.
Zeir Anpin e Malchut
relacionam-se mais com a nossa existência.
Malchut é o mundo
físico, o mundo da manifestação.
Colocamos:
|
para explicar o desejo de receber que
existe em Malchut; |
|
Zeir Anpin é o canal que traz a Luz das 3
Sefirot superiores; |
(+) |
que são Keter, Chochma e bina. |
Quando eu digo sinal
(+) significa que as 3 Sefirot superiores constantemente geram energia pelo
cosmos, mas essa energia deve passar por Zeir Anpin para que possa chegar em
Malchut.
Segundo a Cabalá:
As mulheres se relacionam com a consciência de Malchut
Os homens são conectados com a consciência de Zeir Anpin.
Por aí já podemos ver
a grande diferença existente entre homens e mulheres. O sinal (-) pode ser mal
interpretado como algo negativo, como algo mau, não é isso que quero dizer: ele
apenas mostra o desejo de receber. Não quer dizer que só as mulheres tenham
esse desejo, porque elas também têm o desejo de compartilhar.
Como funciona esse sistema?
Existe uma bênção no livro de oração onde as
mulheres dizem: “Bendito sejas Tu Senhor meu Deus, que me fizeste conforme o teu desejo”. Novamente essa bênção foi muito mal
interpretada, devido ao nosso complexo psicológico: onde as mulheres,
imagina-se, devam sucumbir às leis do homem, como também ser submissas a Deus e
humildemente agradecer por tê-las feito conforme Seu próprio desejo. Essa é uma
interpretação errada.
Pior é a bênção dos
homens: “Bendito sejas Tu Senhor, que não me fizeste mulher!” Se estou feliz
por ser homem, eu diria ‘obrigado Criador, por ter-me feito homem’. Por quê
então agradeço não ter-me feito mulher? É como se agradecêssemos por não nos
ter feito retardados ou doentes ou coisa assim!
Atualmente este é um
dos maiores problemas da religião, onde as sociedades se opõem a esse conceito
de homem e mulher. Muitas sociedades têm tentado dar à mulher autoridade legal
para se tornarem até rabinos. Mas o
problema dos extremos indica que estão ambos em desequilíbrio. Existe de um
lado o fanatismo conservador com relação às mulheres, e do outro temos uma
mistura de atitudes onde não eles não sabem o que estão fazendo, porque partem
do ponto de partida da culpa: pensam que por tê-las oprimido pelos últimos
2.000 anos, agora darão tudo o que elas querem. São dois extremos, são
comportamentos em desequilíbrio. Existem até os mais extremados que apagam essa
bênção do livro de orações para não ferir as mulheres.
O que a Cabalá pensa
a respeito do homem e mulher e de toda essa
controvérsia?
Vamos começar pelo
início, onde está dito que um judeu (uma pessoa) deve seguir 613 ações chamadas
mitzvot (preceitos). Essa palavra mitzvot ou mitzvat (singular) difere de Pecudah,
que é mais impositiva, sendo traduzida como ordem ou comando.
Não é que se queira
apagar esta ‘lavagem cerebral’ pela qual temos passado, como se não tivéssemos
nada mais a fazer do que ser um ditador dizendo ‘faça, eu ordeno!’ Quero
esclarecer que somos o resultado de milhares de anos de corrupção, de má
formação, somos o resultado disso. Porque a palavra hebraica Mitzvot não é
mandamento ou comando. Para isso existe pecudah.
O que significa mitzvat?
O problema com nosso
ego é que ele não agüenta viver uma situação que não compreende: nosso ego não
gosta nem de saber que ele não sabe. Isso é impossível. é por isso que a pessoa ou é totalmente ignorante ou pensa
que sabe tudo e se acha o mais sábio; obviamente em ambos os casos a pessoa é
ignorante. Esse é o problema do nosso ego.
Quando encontramos a
palavra miztvat escrita na Bíblia não sabemos como traduzi-la - até em hebraico
temos esse problema. Mitzvot: se é uma ordem, comando, um conselho, não sabemos
de onde vem essa palavra. Sua tradução não é muito definida.
O rabino Phillip Berg nos deu uma
explicação muito bonita a respeito dessa palavra: a raiz da palavra mitzvat significa união. Quando uma pessoa está fazendo uma miztvat está se
conectando com essa união; por isso oramos juntos, festejamos juntos para nos
conectar com essa energia de união; isso é uma mitzvat.
Existem 613 mitzvot,
que foram divididas em duas partes não iguais: 248 e 365, sendo:
248 (+) são para os
homens e
365 (-) para as
mulheres.
As 365 mitzvot (-)
começam dizendo Não : não faça..,
não mate...
AS 248 (+) dos homens
dizem : Faça!
Novamente não parece
justo, não é?: menos preceitos aos homens que às mulheres. Estou brincando: só
para alertar vocês de como existe um grande mal entendido sobre a essência de
nossa vida.
Mitzvot não são
ordens que devemos cumprir. De acordo
com a Cabalá são ferramentas que existem para nos ajudar a conectar com a Luz.
Nesse caso, mudando a compreensão do sentido da mitzvat, podemos agora dizer
que as mulheres têm, então, muito mais instrumentos para revelar a Luz do que
os homens!! Vocês acham bom ou ruim fazer muitas mitzvot? Depende muito de como
compreendemos a mitzvat. Se a compreendermos como ordens às quais devemos
obedecer, então achamos que a vida da mulher é muito mais difícil, porque tem
mais ordens a cumprir. Mas se a vemos como instrumento de conexão com a Luz,
então quanto mais melhor. A Cabalá, é claro, escolhe a segunda opção.
Porque a mulher se
relaciona com as mitzvot negativas : não
faça, e o homem se relaciona com as mitzvot positivas:faça?
Segundo a Cabalá,
quando a mulher nasce ela tem seu recipiente espiritual completo, por isso é
suficiente para ela não trazer riscos para ela, basta não fazer.
O homem, ao
contrário, nasce espiritualmente incompleto, por isso tem que fazer 248 mitzvot
de ações ativas e também seguir as
inativas: não faça, para que não
machuque, não arranhe seu recipiente espiritual enquanto está sendo construído.
No mundo físico o
homem é considerado o sexo forte e a mulher o frágil, mas espiritualmente é
exatamente o contrário. O homem é considerado a parte fraca, por isso deve ser
ativo para que possa se fortalecer espiritualmente, enquanto a mulher é
considerada a forte ou o recipiente mais completo.
Aqui então, ao
estudarmos a Cabalá podemos compreender qual a diferença entre homem e mulher.
Nós não somos iguais. O homem é mais fraco espiritualmente que a mulher.
O homem não nasce tão
completo como as mulheres - completo
espiritualmente significa que é mais fácil para a mulher compartilhar do que
para o homem.
O compartilhar faz
parte da natureza do recipiente feminino. Por isso ela dá à luz (*) aos filhos.
(*)Rabino
Yossef faz um comentário de que esta expressão que usamos no Brasil é uma das
mais bonitas que ele já viu para expressar o nascimento, pois ela realmente
traduz a essência do fato que é ‘trazer à Luz’ uma vida, expressando algo
espiritual.
A mulher também amamenta o seu bebê e
novamente compartilha sua própria essência através do leite. Isso mostra-nos
que não somos iguais. A nossa correção (tikune), nosso propósito na vida não é
o mesmo. A tarefa no escritório pode ser igual, mas o propósito espiritual é
diferente. Somos diferentes, mas complementares: um complementa o outro.
Na bênção da mulher:
“Bendito sejas Tu Senhor que me fizeste de acordo com a Tua vontade”, ou seja,
de acordo com o desejo da Luz -
significa que o desejo da luz
é compartilhar e para isso precisa do recipiente que queira receber. Esse é o
sentido espiritual, o propósito da mulher: receber a abundância e benevolência
do Criador.
O propósito do homem
é ser canal: permitir o fluir da energia das 3 Sefirot superiores, que passa
por ele e chega à mulher. Por isso que a semente vem do homem, mas todo o
processo de criar, de fazer crescer, e finalmente a manifestação, está dentro
da mulher.
Se Deus criou Adão e
Eva (dois seres diferentes) estava na mente divina criar 2 desejos opostos,
para que esses dois seres que são completamente opostos, pudessem criar a
coluna central. A Luz somente flui pela coluna central.
Foi uma decisão
sábia.
Se a mulher já nasce
perfeita, o homem tem que receber Luz para passar à mulher. Porque?
R.: Preste atenção
como nossa mente funciona. A pergunta é apresentada como se o homem tivesse que
dar a luz para a mulher, porque
aí então a mulher estaria incompleta. Mas não estamos falando de canos e
roscas, estamos falando de inteligências. Para que o homem possa alcançar ser
completo, ele deve compartilhar ativamente a luz
com a mulher. Ela permite ao seu companheiro que lhe transfira essa luz, com a finalidade de ajudá-lo a ter
sucesso e completar sua missão.
Então quem está
completo? Se o homem não compartilhar, ele continuará vazio. Se a luz não
atravessar o canal ele vai ficar vazio. A mulher ao permitir ao homem que deixe
fluir a Luz através dele, está ajudando ao homem tornar-se completo.
Nossa mente funciona
de modo estranho. Por ex.: Imaginamos que nosso coração seja uma bomba. Por
isso as pessoas ‘jogam’ seu coração de uma pessoa para outra: se não preciso
dela passarei para outro. O que falamos na Cabalá não é uma troca de equações e
sim numa troca de consciência. As pessoas autorizam transferência, doação de órgãos
entre as pessoas, porque a maneira de pensar industrial levou-nos a pensar nas
pessoas como máquinas. Por isso pensam que tem duas máquinas trabalhando aqui.
Quando falo em recipiente não me refiro a algo onde as coisas simplesmente caem
lá dentro, e sim, como sendo um termo espiritual.
Precisamos mudar a
consciência.
Este recipiente
feminino, pelo menos até agora, não tem estado funcionando corretamente, por
isso querem atuar como homens: não sabem o por quê delas serem mulheres.
Lógico, o corpo é diferente do corpo do homem, mas falamos de sua consciência.
É aí então, quando entendemos isso, que começamos compreender a Cabalá.
Se pensamos que são
dois corpos diferentes fisicamente, mas se os dois estiverem trabalhando de
acordo com a mesma consciência, serão dois seres diferenciados mas
complementares.
O problema é que as
mulheres estão trabalhando com a consciência masculina.
A mulher é perfeita;
sob o ponto de vista que quando ela quer imitar o homem, se ela sabe o que é
perfeição, ela precisa da energia do homem como canal para alcançar a
perfeição?
R.: Se você mudar a
palavra perfeita para completa você vai conseguir entender
mais facilmente. É isso que temos que fazer: mudar a consciência.
A mulher nasce completa. Quando ela diz: ‘Bendito
sejas .... por ter-me feito de acordo com Teu desejo’, ela está consciente do
seu recipiente ser completo.
O homem diz: ‘Bendito
... por não ter-me feito mulher’: não está agradecendo a deus por não tê-lo criado mulher - em
hebraico a palavra não significa restrição: o propósito do homem é fazer
restrição aos desejos de sua esposa para que possa criar a coluna central e aí
combinar o (+)e o(-).
Exemplo: Casar é uma
mitzvat dos homens e não das mulheres. Deus tem que mandar que eu me case? Se
Deus não tivesse escrito na Bíblia multipliquem-se, nós não estaríamos nos
multiplicando? Obviamente o que ocorre com a mitzvat do casamento é num nível
mais elevado de consciência. Porque o homem deve casar e a mulher não precisa
se casar com o homem? Não parece absurdo? Ela é não e ele é faça!, ele é
ativo.
Na nossa vida diária
sabemos que são as mulheres mais interessadas em casar que os homens. Se assim
é, porque Deus não deixa a natureza seguir seu rumo? Qual o sentido de escrever
um comando? Se o homem está incompleto e recebe um preceito para se tornar
ativo essa ação irá permitir que se complete no casamento. No momento que ele sabe o por quê de seu mandamento, por quê está se
casando, só aí é que é considerado uma mitzvat: uma ação que traz consciência
elevada. De outro modo seria mais uma combinação de biológica natural, ou
um ato mecânico, instintivo.
Comentário: O homem
pode fazer um casamento mas sem estar casado - inclusive desfazendo facilmente
o casamento!
R.: Nós fazemos
muitos atos mecânicos, inclusive casar: ato sem haver o casamento espiritual,
sem usar a ferramenta do casamento para elevar a consciência.
Porque o homem deve
perseguir a mulher para casar? Porque ele está incompleto. Ele precisa da
mulher e ela não precisa dele. Apenas para ter filhos. O ato espiritual do
casamento significa que o homem deve aprender a fazer restrição perante sua
companheira para poder elevar sua consciência. O homem precisa casar, mas só se
souber por quê.
Há homens que fogem
do casamento porque não querem fazer o tikune, não querem fazer sua restrição,
porque não têm consciência.
Abrimos uma nova
maneira de pensar hoje à noite, abrindo a discussão.
Precisamos nos
libertar de alguns instintos obsessivos de comportamento e na maneira de
compreendermos as coisas.
‘Temos que libertar
as mulheres da opressão!’
‘Temos que manter as
mulheres longe dos negócios!’
Porque? Às vezes elas
são melhores que os próprios homens. Esta batalha constante entre os sexos não
está levando a resultados positivos. Ela nos traz muitos problemas emocionais e
psicológicos e estamos tentando resolver esse problemas de uma maneira
diferente.
Primeiro precisamos
compreender que existe um missão espiritual para o homem e uma missão
espiritual para a mulher. Portanto cada um tem uma missão espiritual diferente,
que, finalmente, uma irá complementar a outra. O homem nasce num estado
espiritual mais fraco e com isso deve ter ações, atitudes espirituais ativas e
também fazer as restrições: não faça,
para não destruir o que está construindo. Pelo fato da mulher nascer num
recipiente espiritual completo, ela segue somente os não faça: não mate, não roube etc.
Homens e mulheres têm
missões diferentes. O que determina que uma pessoa nasça mulher ou homem?
R.: Falaremos a
respeito da alma:
Alma: A Alma é uma
só, com duas partes: (+) e (-)
- +
M
N
Quando a alma chega,
ela encarna em dois corpos, isto é expressado através de um corpo masculino e
de um corpo feminino. É nossa alma que determina.
- Porque ela
determina? Porque determina que eu venha para o lado feminino e não o
masculino, por ex. Tem algo a ver com outras vidas?
R.: Isso tem a ver
com que tipo de energia você tem dentro de você. Mas isso também não é
problema; o problema é a frustração de ter nascido mulher. Porque se estivesse
completamente feliz por ter nascido mulher não estaria perguntando porque, quem decidiu? Eu decidi! Se estivesse completamente feliz em ter
nascido mulher, eu saberia que eu mesma decidi nascer mulher.
- Estava pensando que
estaria relacionado com a missão, ou até por desígnios de vidas passadas!
R.: Sim. Está também
relacionado com a missão: podemos dizer que a mulher traz para si o aspecto
feminino da correção da alma; e o homem traz para si o aspecto masculino da
correção.
É a alma que faz o
corpo ou é o corpo que faz a alma?
R.:Nossa maneira de
pensar é muito complexa; quanto menos complexa, mais perto estaremos da
verdade. Estamos falando de uma única
alma que tem dois aspectos: o feminino e o masculino. Esta alma única se
divide em duas partes. De acordo com a Cabalá esses dois corpos são chamados de
almas gêmeas.
Almas gêmeas não são
duas pessoas, de dois sexos diferentes, mas que se completam? Então são dois
espíritos diferentes!
R.: Não. Estou
falando de um única alma que foi
dividida em dois corpos: o aspecto masculino da alma e o aspecto feminino da
alma.
-Então numa
encarnação ela vem dividida?
R.: É.
Se uma pessoa fica
solteira até a morte, a sua alma gêmea como fica?
R.: Temos muito o que
aprender a respeito de reencarnação e alma gêmea. Tem um curso sobre esse tema.
Temos uma alma gêmea
ou várias?
R.: Para cada pessoa
existe uma alma gêmea.
Quando a alma atinge
um nível muito alto de evolução é que ela reencarna como alma gêmea?
R.: Não. Farei um
comentário para explicar a respeito de
reencarnação:
O problema da maioria
das pessoas que estuda reencarnação, é que traduzem como sendo a reencarnação
de corpos e não de almas. Por favor prestem atenção nisso: porque somente
depois de estarmos estudando reencarnação
por um certo tempo (meses), é que se conseguirá começar a entender o que
significa o nível da alma; então veremos reencarnação do ponto de vista da alma
e não do ponto de vista do corpo. Não entramos neste assunto das almas gêmeas
somente para explicar de onde vinha o aspecto masculino e feminino da mesma
alma, mas também para compreendermos que existe um processo mútuo de tikune, de
correção.
Nem todos os casais
são almas gêmeas e a Cabalá também fala a respeito disso.
Voltando ao assunto desta noite
Homem e mulher:
O problema da nossa
sociedade é que nem os homens agem como homens, nem as mulheres como mulheres.
Tem homens que acham que deveriam agir mais como as mulheres porque acham que
seria melhor. Em contrapartida há muitas mulheres que agem como homens porque
acham que assim lhes fica melhor. O mesmo aconteceu na religião: grupos
religiosos onde vemos que as mulheres querem fazer as coisas no lugar dos
homens. Porque isso acontece? De acordo com a Cabalá, isto está acontecendo
porque os homens estão praticando as mitzvot sem consciência. Por isso então a
mulher que quer a Luz, ela diz ‘chega para lá porque vou fazer o trabalho para conseguir a Luz para
mim mesma’. A única diferença entre o homem e a mulher é que ela pode fazer a
mitzvat se ela quiser, não tem problema algum, mas não pode fazer em vez do homem.
Se o homem faz a
mitzvat ativa, ele pode estar fazendo isso por ele e também pela mulher. Mas se
ela fizer no lugar do homem ele permanece vazio. É isso que acontece em grupos
religiosos que não tem conhecimento disso.
Se o homem não
tivesse oprimido a mulher, não estaríamos agora precisando fazer a correção?
R.: Estamos
explicando essa confusão. Estamos tentando lentamente resolver, mas isso só vai
acontecer após um longo processo de educação, educação espiritual, até que se
possa mudar os nossos conceitos, o nosso comportamento. Esta nossa palestra foi
só para abrir esse assunto.
Isso é só o começo.Em
Cabalá 2 aprofundamos mais em todos conceitos vistos no curso de Cabalá 1;
faremos durante Cabala 2 também um pouco de meditação para que se possa compreender
melhor esse conceito de reencarnação, e daí seguiremos para o curso de
meditação e os cursos que vêm a seguir.
16.06.98
Ministrador: Rabino
Yossef Salton
8º aula : religião
e Cabalá; qual é o propósito das Mitzvot?
D_us e fé; Ame ao próximo como a você mesmo.
Chegamos à última
aula do curso e nesta aula chamaremos a atenção para a relação que há entre
Religião e Cabalá. Temos certeza que existem muitas perguntas ainda não
respondidas a respeito de religião de uma maneira geral e também a respeito da
Cabalá.
A Cabalá para a
maioria de nós é uma nova idéia. Até o presente momento estamos acostumados às
maneiras comuns das leis religiosas. O conceito divino, o conceito de Deus é
bastante claro até agora: Deus está no céu, o homem está aqui em baixo etc...
Cerimoniais e rituais eram atos conectados com a tradição. Tradição é algo que
tem a ver com história, com o passado, incidentes relacionados com eventos
emocionais tais como casamentos etc...
Alguns de nós são
mais crentes, acreditam mais do que outros. Outros são mais revoltados contra
essa maneira convencional de comportamento, outros são mais tímidos, aceitam
mais. A Cabalá nos um mostra novo caminho de vida. Ela se conecta não com a
maneira convencional como é ditada a religião, mas com os princípios
fundamentais da religião, que na sua essência são espirituais.
Como já dissemos devido ao tempo, à história, o homem vem
esquecendo a essência espiritual das religiões; e estamos numa
religião muito restritiva. A Cabalá tenta reviver esse conhecimento espiritual
de todas religiões. Todo os conceitos de espiritualidade explicam qual a
relação das festividades e acontecimentos que fazemos, e a relação deles com a
religião, para poder explicar o verdadeiro propósito a cada nação. Cada nação
tem seus próprios preceitos.
Sim, podemos afirmar
que Deus é único. O que é isso? Se
existe um só Deus, porque existem tantas religiões? Essa pergunta abre
muitas dúvidas, várias perguntas em nós. Por isso as pessoas na atualidade não
querem nem ouvir falar em religião.
Mesmo assim, na
Cabalá, não se fala em ‘um Deus e muitos indivíduos’, mas falamos na unicidade do recipiente. É assim que a Cabalá enxerga o
monoteísmo: a unicidade do recipiente nos permite a revelação da Luz. Não
existe outra maneira.
Se duas pessoas se
encontram: um é judeu e outro budista - na essência os dois querem alcançar a
Luz. Podem se encontrar numa viagem de negócios, ou de lazer, mas quando se
encontram os dois querem revelar a Luz.
Porém se existir uma
barreira entre eles (psicológica ou de línguas, ou de falta de confiança etc.)
isso impedirá que revelem a Luz.
Portanto o monoteísmo significa a
habilidade de dois ou mais indivíduos livrarem-se da barreira que os separa e
alcançar a unicidade. E aí só então, podem revelar a Luz.
Sabemos que cada
pessoa é diferente de outra: O que pode ser boa ação para um, pode não
significar nada para outro. Pela Cabalá
cada indivíduo tem seu próprio modo, seu próprio caminho de fazer boas ações.
Por ex.: um grande padre, um grande rabino ou um grande budista todos tem modos
diferentes de revelar a Luz.
Tem uma história que
explica isso: Existia um judeu que tinha uma pousada. Recebia as pessoas, dava
um jantar quentinho, uma boa comida, cama limpa, conforto: fez isso a vida
inteira. Um dia cansou-se de fazer esse trabalho e resolveu ser um grande
estudioso (rabino); foi ao rabino local e relatou-lhe o que queria. Este
disse-lhe que estava bem, e que lesse o que quisesse, colocando-lhe a
biblioteca à disposição. O homem tentou por semanas, apesar da dificuldade que
era concentrar-se naqueles textos, mas sem sucesso. Enquanto isso a esposa e
seus filhos estavam zangados com ele, pois havia abandonado suas obrigações,
passavam dificuldades. Assim, ele ficou
dividido não sabendo o que fazer e resolveu tornar ao rabino pedindo que o
ajudasse a resolver seu problema. Perguntou ao rabino: ‘Será que todos nós não
deveríamos ser grandes homens de letras? Não é isso o que Deus quer de nós?’
‘Não!’ - disse o rabino, ‘você nasceu com uma missão, você não nasceu para ser
rabino, ser um homem letrado e, sim, para fazer o que esteve fazendo até agora:
receber as pessoas, dar-lhes conforto e refeição, atender a sua família’. Aí o
homem se assustou: ‘Mas e os preceitos e as mitzvot, não teria que rezar o dia
todo e ficar cumprindo os preceitos?’ perguntou. ‘Sim, mas você já as executa
(as mitzvot): não rouba os hóspedes, dá-lhes comida saudável, não os engana nos
negócios, com o dinheiro alimenta a sua esposa e filhos. Isso tudo são
mitzvot’.
Essa história vem nos mostrar como nós nos
enganamos quando achamos que para servir a Deus devemos rezar somente, seria
servi-lo de maneira muito
restrita. Há casos extremos que se fecham em monastérios, não falam com pessoas
por anos, não se casam, não tem filhos.
Para a Cabalá esta
não é a maneira. Pode ser para uns, mas não para todos. Segundo a Cabalá, a Luz
está em todo lugar. E em qualquer lugar
ou momento que encontre outro indivíduo, esta é oportunidade para que a Luz
seja revelada. Não apenas sendo religiosos ou fanáticos religiosos é que
servimos a Deus.
Agora voltemos ao que
demos na aula passada quando falamos das Mitzvot: Dissemos que existem 613.
Porque tantas?
Apliquemos a
numerologia: 6+1+3=10=1
É desse um que estamos falando.
Todo propósito das
mitzvot é nos livrar das barreiras psicológicas que existem entre os homens. A
maior diferença entre o que acontece com a religião e aquilo que a Cabalá quer revelar, é que a Cabalá vê as
mitzvot como ferramentas para alcançar a Luz. O aconteceu na religião é que as pessoas fizeram das mitzvot o
propósito, esquecendo do seu verdadeiro
propósito.
A palavra hebraica
para UM é ‘Ehad’ (grafado conforme
pronúncia)
4 +
8 + 1 =
13 = 4 UM
aleph = o valor
numérico é 1
‘cheth’ a 8º letra do
alfabeto tem valor numérico de 8
‘daleth’ a 4º letra
tem valor numérico de 4
somadas dá 13 - que
tem o mesmo valor numérico de 13 da palavra amor:
‘ahavah’
5 + 2 +
5 +
1 = 13 = 4 Amor
aleph = tem valor de
1
heh = a 5º letra tem
valor = 5
beth = 2º tem valor
de 2
heh = novamente = 5
- Se somados dá 13
Sei que parece uma brincadeira
de números. Não é um simples jogo de números, mas existe um motivo, um
propósito para esse valor numérico: O valor numérico da palavra ‘ehad’ e o
valor numérico da palavra ‘ahavah’.
Nas primeiras aulas
que tivemos, falamos de amor e de ódio.
Aprendemos que o amor
não é somente uma emoção afetiva, porque na realidade falamos na conexão com a
Luz. Quando duas pessoas se encontram como disse anteriormente, por qualquer
motivo, se os dois estiverem conectados com a luz, veremos que o Amor se revelará
entre eles. Porque, segundo a Cabalá, o Amor
é afinidade de forma com a Luz, ser uno
com ela. E só então a Luz se revela.
Se não estiverem
conectados com a Luz, mesmo parecendo externamente amigáveis, eles por dentro
estão em estado do ódio. Porque? Porque estão não afinizados com a forma da
Luz. Esse ódio, essa falta de entendimento aparecerá talvez em 1 ou 20 anos,
mas aparecerá. As pessoas casam-se baseados no afeto, no amor emocional e após
6 meses ou 7 anos, acaba tudo. Porque quando se casaram, o amor emocional era
sincero, mas não eram espiritualizados. Nenhum dos dois se conectou com a Luz;
e quando isso ocorre, existe o ódio entre nós.
Portanto a única maneira de alcançar essa afinidade de
forma com a Luz, que traz o Amor para o mundo, é através das mitzvot.
Para quem perguntou,
sim há uma publicação com todas as mitzvot.
Será que se consegue
praticar as 613 mitzvot? E depois, teremos a certeza de finalmente revelar a
Luz?
- Não sei, mas a
Cabalá explica de modo prático e simples.
Voltando à história
do homem (hospedeiro) que pensava que somente com orações todos os dias,
somente assim revelaria a Luz. Quem sabe ele seria um idealista que iria
cumprir as 613 mitzvot!? O rabino, que era um homem espiritualizado, mostrou o
caminho correto. A pessoa pode cumprir somente uma mitzvat durante o dia, mas
ela a faz de forma completa, de todo coração, pode até acontecer de revelar
toda Luz. Porque na realidade as 613 se
somadas, são somente uma = Amor.
Se uma pessoa faz
muitas mitzvot, todos os rituais e cerimoniais, mas sem o coração cheio de
amor, não irá receber nenhuma Luz, ao contrário; muitas vezes quando fazem
muitas mitzvot, mas sem consciência, trazem mais escuridão a elas e aos que as
rodeiam. O propósito não é a mitzvat: ela é a ferramenta. Ex.: qualquer coisa
em nossa vida, por ex. um carro: ele é
bom ou é mau? Depende da mente de quem o
dirige. Uma faca é boa ou má? depende
da mente da pessoa que quer usar a faca: para ferir uma pessoa ou para cortar
comida.
Se uma pessoa realiza
um ritual sem purificar o coração e seus pensamentos antes de iniciar o ritual,
pode estar zangado com alguém que o insultou, o que acontece? A mitzvat é uma
ferramenta que revela a energia, a Luz, mas a pessoa nesse momento está em
estado de ódio; portanto, a energia da Luz para ele é ruim, causando mais
raiva, mais escuridão, mais ódio.
Voltemos ao carro.
Ele tem energia, gasolina, muito poder dentro do carro. A pessoa pode usar a
energia do carro de uma maneira equilibrada por ele estar equilibrado, e outra
pessoa cheia de ódio, entra no carro, você já sabe o que acontece. O mesmo
acontece com as cerimônias, rituais e mitzvot. Ao fazermos uma mitzvat
imediatamente se revela a luz, mas depende do recipiente que está fazendo a
mitzvat. Se ele estiver em afinidade de forma com a Luz, ou seja,
compartilhando, aí a Luz é revelada de maneira equilibrada: a palavra hebraica
é AMOR.
Mas ao contrário, se
a pessoa está fazendo um preceito, e seu recipiente não está aberto para
compartilhar com os outros, a Luz continua sendo revelada, mas o recipiente não
está no ponto e acontece o curto circuito. Nós não sentimos esse curto circuito
imediatamente, pode acontecer somente após 10 anos. Exatamente como o casal que
somente após 10 anos deu-se conta que se odeia. Como é possível, eles se
casaram!? Após o divórcio não querem nem se ver pela frente!
Estamos acostumados a
esses fenômenos de mudança, mas a Cabalá se baseia na consciência eterna: se existe amor,
este deverá ser eterno. E não o amor que vai desaparecendo no decorrer dos
anos. Isso não é amor.
Para se aprender as
613 tem que se preparar primeiro?
- Sim, mas não
falamos das 613, e sim das mitzvot que cada um é capaz de fazer e de como as
mitzvot podem ajudar a pessoa.
No caso do
hospedeiro: queria estudar (uma mitzvat), mas não servia a ele, não era seu
propósito.
Como podemos
encontrar nossa Mitzvat?
- Existe um método:
nossa alma conhece a resposta; a sua alma sabe melhor que qualquer pessoa. O
que a Cabalá pode ajudar a todas as pessoas é a fazer a conexão com a alma e
daí em diante somos independentes. O propósito de estudarmos a Cabalá. Seu
propósito não é tornar as pessoas religiosas, mas de acordo com sua
experiência, ela vem fortalecendo a fé das pessoas nas sua própria religião. Fortalece
o cristianismo nos cristãos, a fé dos
budistas em Buda e assim por diante, permitindo que as pessoas compreendam
melhor sua própria religião.
Poderíamos conhecer
alguns tipos de mitzvot?
- Darei o exemplo de
uma menos convencional: uma das mitzvot é ensinar nosso filhos a nadar. O que
acham dessa mitzvat? É bom? Para quê? Para não se afogarem. Bom.
Porque o exemplo
começou por essa? É que pensamos normalmente que religião e mitzvot sejam algo
inalcançável. Mas os propósitos delas é que todos aprendam a viver todos os
dias de uma maneira melhor.
Concluímos que qualquer ação que a pessoa faça em
afinidade de forma com o Amor é considerado uma mitzvat.
Uma das mitzvat é
comer: estamos cumprindo uma mitzvat. Todos comem comida, mas existem alguns
que sofrem depois: acham que a comida é que é ruim. A Cabalá diz: não é a
comida que é ruim. Sua intenção e os pensamentos enquanto comia é que eram
ruins. Isso é que faz a diferença entre uma atitude que não é uma mitzvat e
outra que é considerada uma mitzvat. As duas pessoas estão comendo: para uma
essa comida é uma mitzvat e para outra essa mesma comida é um pecado.
Esse pecado é contra
Deus? Não, é contra ele mesmo.
Uma pessoa tem que se
alimentar mas não com gula?
- Cada um tem suas
próprias necessidades: Uma pessoa pode dizer ‘preciso comer 5 quilos de carne
todo dia’ e para outro isso talvez não seja necessário. Cada pessoa sabe sua
própria medida. Concluímos que qualquer
atitude que pratiquemos que venha do nosso desejo de receber para si mesmo, é
considerado pecado.
Chamamos de pecado
porque é um curto circuito, estamos destruindo a nós mesmos. E toda ação que
fizermos com a intenção de compartilhar a Luz (no exemplo: comer com a consciência de estarmos beneficiando o nosso corpo e nossa
alma), isso é mitzvat.
O propósito da
Criação é receber prazer. O problema de receber esse prazer é o pão da
vergonha. Toda vez que a pessoa receber para si mesma, existe um curto circuito
e este curto circuito é que é o pecado: receber a Luz sem compartilhar.
Quando uma pessoa
está comendo existe o prazer. E que lugar ela reserva para colocar a
consciência do propósito de seu ato? Não se pode nem discutir porque que ela
estava fazendo isso naquele momento. Mas
depois de 10-20 anos aquela pessoa pode ficar doente devido aos seus hábitos
alimentares. O médico pode dizer-lhe ‘você não pode mais comer galinha frita, o
óleo lhe faz mal, olhe o colesterol’. O problema não é o sal, o óleo, nem o
pão: o problema está na mente. Todos nós sabemos que os carros não são os
responsáveis pelos acidentes, mas acreditamos que é o óleo o responsável pelo
colesterol alto. como é possível?
Eu estava seguindo
todas as pesquisas a respeito do azeite de oliva, porque gosto de azeite de
oliva. Há 20 anos atrás era como comer veneno! Todos os dietistas diziam para
não encostar em azeite de oliva, somente margarina e apenas vegetal. Durante
estes 20 anos tivemos altos e baixos, a cada hora temos uma nova pesquisa e
novas teorias a respeito de margarina, azeite de oliva, pão branco, pão preto.
Descobri que as grandes indústrias quando querem um novo produto, de repente
todos os outros produtos não são saudáveis. Agora as grandes indústrias estão
se voltando para o azeite de oliva e nos supermercados aumentou
consideravelmente a quantidade de novas marcas deste produto ao nosso dispor. A
cada semana tem uma marca nova. Há seis meses quando vim para o Brasil não era
assim. De acordo com a Cabalá a energia do azeite de oliva é muito, muito,
muito positiva. O óleo virgem, a primeira extração do azeite.
Perceberam o truque
das indústrias? O mesmo acontece com os remédios.
As pessoas são
afetadas por efeitos externos. Nosso ego se deixa afetar pelas mudanças
exteriores. Nossa alma não, ela sabe o que é bom eternamente.
Seria a consciência
robótica?
- A consciência
robótica das pessoas (são afetadas pela publicidade)
Antes de existirem os
robôs como era chamada?
- Consciência
mecânica. Existe um termo novo: inteligência artificial - é a nossa consciência
robótica, que é a nossa inteligência artificial. Novamente a Cabalá está à
frente.
Agora alguns avisos:
Na próxima semana:
haverá um workshop na Hebraica.
Constará de duas
partes: a primeira falará sobre reencarnação e todo o conceito do nosso
processo de correção, de tikune.
A segunda parte será
uma terapia de grupo e uma meditação: faremos duas: uma antes da terapia de
grupo e outra depois, ao encerrar.
Não existe nada
amedrontador nessa atividade. É tudo uma questão de nossa habilidade em nos
expormos um pouco; se a pessoa não se expuser não será capaz de se revelar a si
mesma. Este é o motivo da terapia de grupo, que vai nos ajudar através da
segunda meditação, para que possamos revelar, quem sabe um pouco ou bastante, a
respeito de vidas passadas. Não é fácil fazer esse processo de regressão e os resultados
nem sempre são imediatos. Mas de qualquer maneira estaremos fazendo uma
abertura onde podemos continuar se quisermos em casa ou quem sabe, mais tarde,
no Centro de Cabalá.
Amanhã às 20h no
Centro de Cabalá nos encontraremos para que possamos fazer a conexão espiritual
com a lua nova do mês de Tamuz, a oportunidade de implantar na nossa
consciência uma vacina espiritual contra o câncer. Faremos uma conexão que
existe entre o signo de Câncer e a doença de câncer. E as letras hebraicas e a
meditação, nos ajudarão a receber essa vacina. Será uma palestra seguida de
refeição.
Também temos um
workshop de cura daqui a duas semanas; existe um capitulo especial na Bíblia e
no Zohar que será lido, não neste sábado mas no próximo, que tem a ver com a
cura.
Será dia 19 de julho
- domingo.
23.06.98
Indagado de dá
atendimento, explica:
O rabino Yossef
recebe as pessoas em particular: pode ajudá-las de várias maneiras: há os que o
consultam para saber onde a Cabalá pode ajudar, outros querem aulas
particulares, que acabam virando terapia. Obviamente cada pessoa tem seu
próprio caminho.